O aborrecimento da corte de Lisboa

A corte de Lisboa permanece em estado de ansiedade o que lhe causa incómodo dada a imprevisibilidade dos próximos dias ditada pelo resultado da escolha no PSD e a impossibilidade actual de prever os estragos na imagem na líder do PAN, depois das últimas e nada inocentes notícias sobre a sua actividade e património.

Multiplicam-se assim mensagens, telefonemas e reuniões à procura de recentes alinhamentos com efeitos práticos nas directas do mundo laranja. Tudo isto após o dictame de decisão de “autoridade” da estrutura que muito cedo (talvez) alinhou com Rangel, mesmo sabendo que no voto individual e secreto radica a decisão.

A ansiedade compreende-se – trata-se de definir o governo do próximo futuro, em primeiro lugar, mas, segundo e não menos importante para os ansiosos, de definir as listas dos candidatos a deputados. Entrar na corte é desígnio “nacional” e pertencer à sua dinâmica, garantia de sucesso individual.

De notar a decisão “unânime” da distrital do Porto que, em comunicado, anunciou o apoio a Paulo Rangel, deixando assim “cair” com estrondo Rui Rio. Numa comunidade política onde os dois candidatos sempre foram militantes, mesmo candidatos em nome da mesma estrutura, e por isso defensores do seu interesse, a distrital entende “orientar” o sentido de voto a favor de uma das partes. Nada disto tem a ver com a realidade política do distrito, antes manifesta pressa (é da ansiedade!) de afagar o perfume do poder .

Como o voto (felizmente é secreto) explicará, convém perguntar: na eventual vitória de Rio, demitir-se-á a distrital do Porto das suas funções? Vencendo Rangel e perdendo este no dia 30 de Janeiro, a distrital do Porto também cai por justificar este apoio anti-Rio com a convicção que hoje tem de que com esta liderança ganha o PSD as legislativas?

O perigo das manobras, em política

Estas manobras entretêm bastante os nossos políticos profissionais. Olham para o imediato, os interesses particulares, deixando cair o essencial da discussão que seria saber (sendo necessárias e oportunas as directas) que tipo de primeiro-ministro pode dar o PSD a Portugal e que modelo político da sociedade tem para propor aos eleitores.

Neste momento, o PSD colocou a discussão na hermenêutica do futebol assemelhando-se ao candidato a presidente do clube que aponta os adeptos para a última aquisição de treinador ou jogador, garantindo o título que vem aí.

A vida ensina-nos o contrário. Os eleitores percebem o jogo e no momento da decisão contrariam com sorriso maroto as tendências “garantidas” das sondagens. Talvez volte a acontecer.

A corte em transe

Nos dias que correm, já não é necessário recorrer a aulas de etiqueta para entrar na corte. Os votos suficientes permitidos por Abril de 1974 colocam no hemiciclo personagens que a história nos relata como mais ou menos alinhados. Contudo só alguns podem aspirar aos lugares de decisão.

O campo da decisão é assim objecto de análises e condicionamentos observados fora do sistema e que acabam por ditar o perfil de quem pode ou não pode chegar a ela (à decisão). Assim se explicam as orientações editoriais (sobretudo das televisões), a escolha dos “comentadores”; e deste modo se massacra o eleitor com “o caminho a seguir”.

É certo que mais de metade decide não ouvir e por isso não vota. A outra parte assiste, progressivamente céptica. Enganam-se pois as sondagens, rapidamente corrigidas pelos habituais “comentadores” – não vão os abstencionistas decidir votar!

Voltando ao perfil…

A corte não tolera o perfil de Rui Rio. Desconfia sobretudo da sua incapacidade em adaptar-se “à circunstância” política, ele que refere (que chatice) o “interesse nacional” como regra de intervenção.

A partir daqui desconstróem-se os modelos de análise dos planos de “investimento”, as “arquitecturas” jurídicas como segurança e tampão das operações – uma “salgalhada” que afinal não vai permitir a elevação ao poder de um novo DDT (Dono Disto Tudo).

Precisamos nós todos de um governo independente dos interesses de grupo. Capaz de indentificar e mobilizar a população para etapas de desenvolvimento superior e permita promover a classe média, arrastando consigo a subida do salário mínimo.

Esta opção só pode ser garantida desde que acordada estruturalmente entre o PSD e o PS, onde radica mais de 70% do eleitorado! Todos sabemos isto. Então porque ninguém (publicamente) o defende?

Trabalhar esta ideia (não devia ser necessário) é tarefa para todos, menos para a corte de Lisboa. Aqui a intriga, a negociação, o interesse de grupo são servidos e apresentados como problemas por personalidades que além de os definir também apresentam (pois claro) a sua proposta de solução.

É esta política de “rabo na boca” que mantém o nosso país em progressiva degradação económica e social. Quem ganhou até hoje com esta “democratização da pobreza”?

O obstáculo à “democracia de sucesso”

O universo da corte percebe da coisa. Funciona como um clube privado. Poder entrar, pode. Depois há graus! São as chamadas redes a que pertence, sabendo-se que a ascensão – atenção, pode ser meteórica – é directamente proporcional à adpatabilidade do espírito e motivação para a aventura: ” o futuro começa hoje”- assim se respira na corte.

Estando pois todo o país a viver “o sucesso” da democracia, como tolerar alguém que o não compreende?

 

 

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