A linha férrea que queremos e precisamos, mas quando a vamos ver?

Merecemos uma linha férrea – pelas pessoas, pelas empresas, pelas nossas terras, naquilo que ela significa e promove: desenvolvimento comunitário que promova a coesão social, a mobilidade e, por isso, a criação de riqueza. Na semana passada a equipa multidisciplinar de transportes e mobilidade sustentável da CIM-TS (não conseguem um nome mais curto?) reuniu em Paços de Ferreira para mais uma sessão de trabalho.

De notar que esta aposta está a ser elaborada esperando-se – promessas políticas existem – que esta  linha seja incluída no Plano Nacional Ferroviário, esparando nós que seja “benzido” pelo perfume da “bazuca”. As cerca de 700 mil pessoas que respiram no Vale do Sousa ficariam agradecidas. Mas tudo indica que esta opção só será realizável se os partidos políticos, sobretudo o PS e o PSD (pelos menos os seus autarcas) estiverem unidos e motivados para esta conquista.

A propósito deixamos aqui as reacções que recolhemos em Junho de 2020, para a Rádio Freamunde que na altura procurava saber como os diferentes partidos olhavam para a “teimosia” de Humberto Brito que anunciara o comboio para o concelho.

Linha férrea no concelho: vontade comum com narrativa política diferenciada

A nova linha férrea objecto do estudo do CIM do Vale do Sousa, com estações em Paços de Ferreira e Freamunde, merece a concordância dos partidos políticos, embora apresentem um desalinhamento na narrativa política. Só a concordância entre eles, sobretudo PS e PSD, pode permitir a inclusão do investimento em sede de orçamento de Estado, sendo necessário um acompanhamento interessado de modo a considerar esta linha uma prioridade política.

 

PSD: A ferrovia como elemento fundamental para a mobilidade regional

Em primeira instância não deixa de ser curioso que um Presidente de Câmara que tanto quer sair da CIM do Tâmega Sousa esteja agora a fazer “campanha” com base num estudo desenvolvido por esta entidade!

Depois, e indo ao que realmente interessa, o PSD de Paços de Ferreira é favorável a um plano de desenvolvimento territorial assente na ferrovia como elemento fundamental para a mobilidade regional em particular a direccionada para a região do Porto.

Eu próprio afirmei, em plena campanha autárquica de 2017, que “assinava por baixo” esse projecto. Mas, de então para cá o que é que aconteceu? Passaram-se 3 anos desde que foi apresentado como a grande bandeira do actual Presidente de Câmara e….. temos mais um estudo concluído!

Atenção: eu defendo que um projecto desta envergadura tem de ser devidamente estudado e fundamentado. Mas o que não compreendo é que, em 3 anos tenhamos só mais um estudo e se faça “bandeira” disso! Não há mais nada! Nem compromisso nenhum, seja de afectação de orçamento seja de datas para início de projecto de nenhuma das partes, seja das autarquias envolvidas seja do Governo, que por acaso até são do mesmo partido.

Até porque mais fácil e rápido de resolver seria a discriminação positiva à nossa população e às nossas empresas nas portagens da A41 que o PSD de Paços de Ferreira conseguiu incluir no programa de Governo do Dr. Rui Rio. Era mais fácil, beneficiaria de imediato a população e o PS tem a “faca e o queijo na mão” para resolver o assunto. Mas neste caso, temos um silêncio ensurdecedor do Dr. Humberto Brito.

Portanto, só posso concluir que, mais uma vez (e infelizmente), dada a importância deste projecto para a região, o PS e em particular o nosso Presidente de Câmara, está a tentar atirar areia para os olhos da nossa população. A minha dúvida é se o Dr. Humberto Brito já se encontra em campanha a pensar nas autárquicas de 2021 ou se é uma questão interna, dada as dificuldades de afirmação que está a sentir no interior do Partido Socialista.

Vou ter a ousadia de lhe dar um conselho: afirme-se no interior do PS mas a tentar resolver os problemas da nossa terra: vá tratando do dossier do comboio em silencio até ter algo palpável para apresentar. Até lá, isente as empresas (que se viram obrigadas a fechar) de pagar o lixo e a água, direcione o 1,8M€ da moratória do FAM para o apoio às pessoas que se viram em situação de desemprego e em dificuldades económicas fruto do surgimento do COVID, apoio as associações do concelho que se encontram numa agonia financeira indiscritível e negoceie com o Governo do seu Partido o fim das portagens na A41, esse sim, um beneficio imediato para a nossa terra.

Por Joaquim Pinto, presidente da concelhia de Paços de Ferreira do PSD

PS: A ferrovia é essencial

O conjunto de autarquias socialistas, Paços de Ferreira, Lousada, Felgueiras, Paredes e Valongo abraçaram o projecto comum sobre a construção de uma nova linha ferroviária para o Vale do Sousa. Este projecto visa o desenvolvimento, progresso e inclusão territorial. Este projecto pela sua relevância, está inscrito no Plano Nacional de Investimentos.

A mobilidade ambientalmente sustentável torna-se uma necessidade nos dias de hoje e a ferrovia é uma solução ideal.

A Autarquia de Paços de Ferreira está de parabéns, foi a primeira a levantar esta questão de mobilidade na nossa região, uma solução que exige muito trabalho e persistência, mas a resiliência de todos dará os seus frutos.

O PS de Paços de Ferreira não poderia deixar de estar em linha com a decisão dos seus autarcas e congratula-se com todos os esforços deste executivo de maioria socialista, para que este projeto se concretize no mais curto espaço de tempo.

Armanda Fernandez, presidente da concelhia de Paços de Ferreira do PS

PCP –  Reduzir custos e alargar oferta de transportes públicos

A criação de passes intermodais – que fomentem a utilização de transportes públicos e a redução de custos aos utentes – corresponde a uma reivindicação antiga do PCP que há mais de uma década tem propostas legislativas nesse sentido.

O Orçamento de Estado aprovou a criação do Programa de Apoio à Redução Tarifária em todo o país, tendo o PCP apresentado uma proposta de reforço de 25% da verba que lhe está destinada. À Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM-TS) e às autarquias que a integram foi atribuída uma verba de cerca de 1,810 milhões € com este fim.

O PCP apresentou medidas que constituíram referência aos descontos também na CIM-TS.

Olhando para a realidade regional, o PCP sublinhou e lutou junto das populações para a necessidade de articulação entre o Governo, a CIM-TS e a Área Metropolitana do Porto, para se encontrar uma solução que garanta igualmente redução de custos para utentes dos concelhos do Tâmega e Sousa que se desloquem para a Área Metropolitana do Porto.

O PCP lembra que, associado à redução tarifária, está igualmente previsto o alargamento da oferta. Neste contexto, entendemos que deve ser dada prioridade à criação de uma rede de transportes públicos que envolva operadores públicos e privados, rodoviários e ferroviários, acautelando a garantia de ligação de todos os concelhos aos Hospitais de Penafiel e Amarante, às Zonas Industriais, às escolas, às estações de caminho-de-ferro e aos serviços públicos.

O grupo parlamentar do PCP voltou a apresentar o projecto que visava a revogação das portagens nas ex scut, no distrito do Porto. Uma medida que, a ser aprovada, constituiria mais um avanço para as populações, o distrito e a região.

Para além da revogação das portagens, a urgente construção do IC 35 são prioridades para o PCP que desde 2011 apresenta projectos de resolução nesse sentido. No entanto, os votos do PS, do PSD e do CDS impediram sempre a concretização destas importantes medidas, que representam uma barreira para mobilidade das populações e para o desenvolvimento do tecido produtivo da região.

O PCP reafirma o seu compromisso com a população da CIM-TS, na medida em que insistirá as vezes que forem necessários para que estas medidas sejam aprovadas.

O PCP questionou o Ministro das Infraestruturas e da Habitação sobre questões da ferrovia, das acessibilidades. Foi colocada a necessidade de intervenção e de obras em várias estações e apeadeiros do distrito do Porto, como é o caso flagrante de Vila Meã, que o PCP visitou em Novembro. Foi também assinalado o problema de funcionamento das bilheteiras da CP. Relativamente às acessibilidades, foi colocada a urgência da conclusão e construção integral do IC35.

É, por isso, correspondendo a este objectivo de alargamento da oferta de transportes públicos e melhoria da mobilidade na CIM-TS que reafirmamos a necessidade de concretizar investimentos no sector ferroviário, designadamente nas linhas do Douro, Tâmega e na anunciada linha do Vale do Sousa, revogar as portagens nas Ex-scuts e construir o IC35.

 

Claudia Santos,  Comissão Concelhia de Paços de Ferreira do PCP

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