O PCP, a CGTP, a Igreja e o futebol: uns cumprem, o outro não!

O PCP ousou fazer o seu Congresso, cumpriu as regras. Antes todos criticaram, falou-se de um Governo de cócoras perante os comunistas, mas depois nada aconteceu e foi elogiado. O Santuário de Fátima retomou as Peregrinações, cumprindo as regras. Alguns criticaram, invocaram subserviência do Estado laico, mas correu bem e o Santuário foi galardoado com o adjectivo de “Responsável”.
A Igreja Católica suspendeu os compassos pascais, todas as festas, e retomou as celebrações com fiéis e foi muito bem aplaudida pelo seu sentido de responsabilidade social. A CGTP celebrou o Primeiro de Maio, respeitado todas as regras da DGS, e o elogio foi generalizado, face ao comportamento exemplar de todos. O PCP, a Igreja, a CGTP assumiram as responsabilidades pelos eventos que promoveram e promovem todos os anos, acatando as regras em vigor para o combate à pandemia.
Com os actos do PCP, da CGTP e da Igreja ouviu-se antes um clamor de condenação ou reparo, mas agora, antes deste episódio previsível ninguém (de todos os quadrantes) abriu a boquinha. É mentira? E qual é o episódio? Um clube celebra — não todos os anos, mas 19 anos depois — um título de campeão nacional, desrespeitando as regras em vigor para todos os sectores (cultural, diversão, lazer, económico, turístico e de restauração) e não tem de assumir responsabilidades? Com as acções do PCP, da CGTP e da Igreja Católica, ninguém foi acusado (nem Governo, nem PSP ou GNR, nem participantes, militantes ou fiéis), porque tudo foi efectuado conforme a Lei. Com um clube de futebol, em que nada e ninguém respeitou a Lei, a responsabilidade é da PSP ou do ministro.
Expliquem-me, porque não sou comunista, sou membro de um sindicato independente, não pratico a religião, nem sou simpatizante deste clube. Ah, já percebi. O mundo do futebol não tem de cumprir a Lei, nem se responsabilizar pelos seus actos e assume-se como um estado dentro de um Estado de Direito.
É um tumor maligno, não? Como não sei melhor, socorro-me de um Mestre, J-M Nobre Correia e de um texto que escreveu ontem, no seu blogue https://notasdecircunstancia2.blogspot.com/. “Ai tantos, tantos, tantos responsáveis que há do que se passou ontem, antes, durante e depois de um jogo de futebol — a acreditar no que dizem os nossos jornalistas… Mas, claro, estes mesmos jornalistas “esquecem-se” de dizer que eles também são altamente responsáveis ! São eles e os média deles, e sobretudo as televisões, que são responsáveis da “cultura” geral que reina neste país. Com o futebol logo pela manhã, a todas as horas, nos radiojornais. Com o futebol nos títulos e a ocupar boa parte dos principais telejornais (para aí um quarto a um terço da duração). Com os resultados dos campeonatos nos mais diversos países estrangeiros, dando particular relevo a vicissitudes de jogadores e treinadores portugueses que por lá andam. Com as declarações diárias do “pensamento profundo” dos treinadores dos principais clubes nacionais. Com as televisões a seguirem durante tempos infinitos, em “direto”, os autocarros onde vão jogadores de futebol, à chegada e à saída de hotéis ou de aeroportos, às ida para os estádios …e por aí fora !
Para além das (novas) multiplíssimas e variadíssimas declarações diárias do omnipresente Marcelo Rebelo de Sousa, o futebol é o (já antigo) tema principal dos telejornais (a que há que acrescentar agora, desde há um ano, o covid e a vacinação, tema que, em princípio, em termos de calendário, terá uma duração limitada)”. (fim de citação)
Agora entro eu. Lembram-se quando, por causa da facilidade com que falava sobre tudo e mais alguma coisa, deram a António Guterres a magnífica alcunha – “picareta falante”? Agora, temos uma cópia e a cópia sempre será cópia, nunca chegará nem se quer aos pés da original. Volto ao meu convidado:
– “só os jornalistas deste país (da imprensa, da rádio ou da televisão) não se dão conta, não querem dar-se conta, da inacreditável e exagerada importância que dão ao futebol. E não querem perceber como esta sobredimensão e omnipresença do futebol tem trágicas e inquietantes consequências na “cultura” dominante, na mentalidade e nos reflexos de boa parte do povo deste país !…”
Porque eu não diria melhor, aqui ficou a extensa citação.
Costa Guimarães, jornalista
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