Segundo Rio, no entanto, o PS, que governou 14 anos desde o fim do cavaquismo (em 1995), continua sem querer aprender com o passado. “Temos de fazer diferente. Mas o PS não o faz. Na governação atual, o PS travou o défice. Mas como? Enganou o PCP e enganou o Bloco de Esquerda através das cativações”, criticou o líder social-democrata.

Intelectuais da capital

Sempre na capital do império se estabeleceram grandes desígnios para a Nação e isto não vai acabar. Agitam-se as mentes, desenham-se alternativas aliciantes e consomem-se boas horas nos lugares do costume criando, fidelizando e traindo os amigos de sempre, na esperança que o povo – esse ingrato que nos tirou do poder – tenha juízo e despache o Governo que “nós” cá estamos para uma nova democracia de sucesso.

Outros publicarão textos esclarecedores sobre o destino do país, outros queimarão tempo de antena nas televisões, prognosticando o destino fatal dos actuais líderes partidários com excepção do Sr Costa que esse – “dada a fraca oposição” – está com um seguro de vida que eles próprios invejam.

Mas é de assinalar que, dois jornais depois, e um partido acabado de chegar, a “direita” sob a denominação de MEL – atenção à conotação dos termos em política! ok?- termina esta convenção com o gozo de ter calcado a sombra de Passos (um perfume) e o incómodo de apanhar a rabanada de vento (um desespero) vinda do centro-esquerda por parte de Rio.

Talvez tenham percebido que estas questões de “família política” se devem tratar na casa comum dos congressos e que promover profissionais da dissidência à procura do novo céu, pode ajudar nos negócios  – aqui sem aspas – mas de facto não ajuda na política. É que existe uma variável substancial – o querido povo, esse céu azul que nos vigia em surdina, aproveita os dias de sol para separar o trigo do jóio (isto é, separar o bom e o mau!) sem avisar ninguém e com as consequências que sabemos.

 

A reorganização do interesse político

A captura do poder político pelo PS foi traumática  em 2015 e ninguém esquece isso, sobretudo sabendo que com Mário Soares nunca os socialistas dariam este passo. Quebrou-se uma tradição e vivemos uma situação que favorece o crescimento dos extremos e dificulta a reorganização (permanente) do país sobretudo nas questões estratégicas.

Estas decidem-se com a participação dos eleitores que necessitam de um parlamento estável no essencial e uma cultura política tolerante que acolhe as diferenças que tecem a sociedade portuguesa – um país moderno, aberto e em crescimento econonómico e social, e que deve fugir (enquanto é tempo) de soluções messiânicas sejam elas qual forem.

Os ventos da Europa não auguram nada de bom, nem na perspectiva cultural, nem na social, o que nos deveria impelir para motivar os nossos melhores para a causa pública.

Aos políticos a quem compete desenhar uma alternativa de poder pede-se assim a humildade de perceber o que efectivamente preocupa as pessoas em todo o território oferecendo-lhe um novo caminho compatível com as suas ambições e problemas.

Recordemos o nosso país, nos últimos dias do cavaquismo,  para lembrarmos o aparecimento dos Estados Gerais (1985) promovidos pelo PS, liderado por António Guterres. Pela primeira vez,  um partido abriu as suas sessões a simpatizantes quebrando a exclusividade dos militantes na decisão política. Tratava-se de delinear o programa de Governo socialista e contou com uma mobilização única de portugueses. A consequência foi uma reviravolta no país.

A decisão de 2015 amarrou o país a um quadro político difícil de desagregar pela mobilidade de interesses instalados. Eles movem-se e adaptam-se.  Perante isto a reunião do MEL foi mais um epifenómeno ou, de outro modo, uma oportunidade perdida.