“Rui Rio tem que ter pulso nas listas para deputados”

O PSD foi a «diretas» e reelegeu Rui Rio para continuar à frente do partido. O PSD concluiu que Rui Rio é melhor do que Paulo Rangel para liderar o partido e ganhar as próximas legislativas. Rui Rio ganhou o partido, de norte a sul do país, contra aqueles arautos da desgraça que profetizavam e desejavam a derrota do atual líder social-democrata.
Rio venceu 12 das 20 capitais de distrito (Porto -onde tinha a sua sede de campanha, fiel às suas raízes -, Viana do Castelo, Viseu, Leiria, Guarda, Ponta Delgada, Funchal, Beja, Portalegre, Setúbal, Braga e Évora). Paulo Rangel venceu na capital (sendo do Porto, optou por ter a sua sede de campanha em Lisboa), Aveiro e Coimbra, entre outras).
Rui Rio já pensa nas legislativas e o seu discurso de vitória dividiu-se em duas partes: uma, virada para o interior do partido e outra, assumindo-se como líder de um partido que quer vencer as legislativas de Janeiro. Desta vez com um discurso muito claro de um político que diz ter aprendido a linguagem política, sem perder a sua forma de estar e ser: servir a causa pública e tornar este país com futuro o que, defende, implica abertura a diálogo com o PS, mas também com o CDS e a IL. Paulo Rangel perdeu.
Aliás, Rangel só apareceu porque, como político hábil que é, viu nas legislativas e na presidência do PSD, uma forma de chegar muito rápido a primeiro-ministro.
As bases do partido não lhe perdoaram, nem aceitaram este oportunismo. Com o PR estiveram alguns ditos «históricos», aqueles que, de há muito, pretendem controlar o rumo do partido, das listas de candidatos a deputados ou aos órgãos autárquicos. Já há alguns anos que vêm dominando e minando as estruturas locais (concelhias e distritais), com reflexos no número de lugares que ocupam nos órgãos nacionais.
Mas o voto é nominal e as bases ditaram que querem um PSD ganhador, unido em torno de Rui Rio. A derrota de Rangel é a derrota de algum clientelismo, que deve ser analisado pelo presidente reeleito. Um dos derrotados da noite é o vice-presidente da Distrital do Porto, o deputado Cancela Moura. Talhado para as derrotas, perdeu as recentes eleições autárquicas em Gaia, onde se propôs para presidente. Uma presa fácil para o PS. Novamente derrotado, ao aliar-se a Rangel.
 
Cancela Moura, um «histórico» de Gaia, incapaz de – quando à frente da estrutura local – ter conseguido dinamizar o partido (inscritos para votarem apenas 1.188 gaienses) e de apresentar projetos de desenvolvimento para o concelho. Nem um!!! Por isso os gaienses não se reveem na sua pessoa, não lhe dão o voto e preferem votar noutros partidos.
Por isso, o seu candidato (Paulo Rangel) perdeu também em Gaia, ou seja, Cancela Moura voltou a ser derrotado, agora pelas bases do seu próprio partido. Enquanto deputado, este como outros eleitos, não tem projetos, não tem obra conhecida. Tem intervenções, talvez, mas daqueles das quais apenas resulta «ruído de caserna»!
Rui Rio tem que escolher os deputados da nação pelo PSD. E tem que perceber se os que já lá estão são os melhores. Tem que definir um critério de avaliação técnica do desempenho dos que estão na AR. Este deverá ser o seu desafio imediato: aproveitar aqueles que têm obra, desempenho, propostas, iniciativas, retirando das listas os restantes, nem que isso lhe custe mais umas guerras internas. Sá Carneiro teve, muitas das vezes, de enfrentar os barões do então PPD. Picado, nunca fugiu ao combate em nome do bem público!
Se o que diz é verdade, Rui Rio só conseguirá governar o país se se rodear dos melhores entre os melhores. Há muitos militantes com enorme capacidade. Muitos deles no «anonimato« de um simples cartão de militante. Mas, definitivamente, terá que remover aqueles que apenas contribuem para um PSD enfraquecido, descaracterizado, e oportunista.
Eu quero acreditar que Rui Rio é capaz. Como ele disse, «picado» sente-se ainda com mais força. E «picado» já ele está! O país quer agora um sinal da sua capacidade para o fazer, porque se o fizer é um sério candidato a vencer as eleições e de ser o primeiro-ministro que o país precisa.
Por Paulo Laia
Crédito foto principal – Expresso. cfr https://expresso.pt/politica/2021-11-30-Comecou-o-divorcio-com-as-estruturas-apoiantes-de-Rio-no-Porto-lancam-peticao-para-ser-o-lider-a-decidir-a-lista-as-legislativas-29ed7e33
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