Pinto da Costa – o ataque fora de tempo

Depois de destronar o presidente do Benfica, o Ministério Público visa agora o presidente do FC do Porto.  O ataque em Lisboa foi precedido de uma “guerra civil” no clube que descrevemos nestas páginas em dois textos publicados em Junho e Julho onde anunciávamos o que estava a ser preparado – o afastamento do presidente.

Este ataque no Porto tem o mesmo objectivo, embora a base da acusação radique nas manobras da Justiça e não tenha qualquer adesão – na perspectiva criminal – no seio dos adeptos, sócios e, veremos se terá nos accionistas da SAD. Podemos comparar os cenários, mas precisamos de verificar que o ambiente é distinto. Contestação sistemática em Lisboa, apoio claro no Porto aos respectivos presidentes.

Neste momento,” além da suspeita de um esquema montado por Pinto da Costa e pelos empresários Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa para desviar lucros gerados pela venda de jogadores, o FC Porto está também a ser investigado pelo Ministério Público – Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por alegada influência de terceiros em resultados desportivos – informa “A Bola” que teve acesso ao despacho dos mandados de busca efectuados no âmbito da Operação Prolongamento.

Segundo o mesmo jornal, “indicia-se que, em consequência dessa atribuição indevida, esses beneficiários,  geralmente agentes desportivos, devolvem, a favor de dirigentes do FC Porto e da sua SAD, parte dos montantes recebidos, seja sob a forma de atribuições patrimoniais diretas para a esfera pessoal desses dirigentes, seja pelo pagamento de despesas que o próprio clube ou a sua SAD não poderiam documentar, caso de formas de suporte a dirigentes de ‘claques’ desportivas e de entregas a favor de pessoas com alegada capacidade para influenciar a sorte dos resultados desportivos».

Enquadramento e perspectiva

Para quem vai à bola, lê jornais e gosta de futebol, a leitura desta eventual acusação – nesta fase estamos apenas no aquecimento argumentativo – provoca uma primeira apreciação e que nos leva a perguntar pela oportunidade da coisa, dado que esta narrativa é conhecida e até já tem o estatuto de “vox populi”.

Também dá para perceber que o desenho da mesma coisa, aponta para um processo que merecerá esclarecimentos (contraditórios) que arrastarão os trabalhos nos tribunais para além da realidade que nos será dada viver.

Os senhores advogados terão de explicar no tribunal o que é “um negócio de futebol” baseado na realidade do “jogo” e que a justificação da actividade visa que o “golo entre na baliza” e o “clube é o maior”. Atingir estes objectivos, é opção estratégica, cabendo a cada interveniente executar a tarefa visando a vitória no jogo e na competição.

Evidentemente que o Ministério Público analisa esta realidade, partindo da letra da lei, observa os movimentos do negócio de acordo com as regras contabilísticas, e tem dúvidas. Cria-se assim um “buraco de análise” que separa “a prática corrente e generalizada” na actividade do futebol, e a “estrutura legal” existente.

Acontece que a “prática corrente” é apoiada pelos adeptos e sócios dos clubes que exigem, como nas empresas, resultados! e por isso batem palmas quando esses são conseguidos. A “estrutura legal” existente, neste universo conhecida por “regulamentos”, são acarinhados pelo MP mas desprezados pelos adeptos. Basta a estes cumprir os regulamentos na sua vida diária de segunda a sexta: haja lugar para a descompressão, ao domingo, para dizer o que não pode ser dito, para desafar a alma reprimida, e experimentar a alegria do golo que os liberta,

Esta é a realidade de suporte que, entrando na discussão agora plasmada nos jornais e nas televisões, vai ser dissecada ao pormenor por comentadores/adeptos, cada um colocando a “análise jurídica” da coisa no enquadramento da cor do seu  clube. (O meu é melhor que o teu!).

E no meio disto tudo, vamos ter a Justiça com a difícil tarefa de separar o trigo do jóio, ela que já não consegue explicar o que é óbvio:

  • Está a Justiça disponível para apreciar as dúvidas do MP neste momento, quando a mesmas são conhecidas e comentadas há mais de duas décadas, pelo menos?
  • Não tendo actuado até agora, como explica esta inactividade, tendo a missão de defender o estado de Direito?
  • Colocar na linha de tiro a figura do presidente do FC do Porto, neste momento com a idade que tem, justifica um processo que será inconsequente seja qual for a decisão, tendo em consideração as leis da vida e os prazos judiciais?

O ataque a uma liderança

A inoperacionalidade desta acção do MP, porque feita a destempo, assume, por isso, o carácter de um ataque à pessoa do presidente do FC do Porto que é mais do que isso – uma figura incómoda na análise que faz da evolução do país e sobretudo das relações da região do norte com a capital.

No mundo do futebol conseguiu o que ninguém na classe política sequer tentou: exigir o respeito por quem aqui vive. Impôs (futebolisticamente) um reinado com pronúncia que incomoda a corte de Lisboa. Resitiu sempre aos cantos de sereia e defendeu a sua bandeira. Cumpre a missão que lhe foi entregue pelos sócios.

Dizem-nos que Pinto da Costa é afável no trato pessoal e que se transforma num dragão quando entra nas portas do clube. As instituições precisam de lideranças destas, sobretudo quando os “inimigos” estão definidos.

E aqui no norte, todos sabemos que quando foi preciso, Dom Afonso Henriques teve de “bater” na sua mãe. E assim nasceu Portugal.

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Região do Norte – 13 de julho 

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Muito antes da detenção e libertação de Luís Filipe Vieira informamos os nossos leitores da “guerra civil em preparação no Benfica”. Foi a 20 de Junho. Duas semanas depois e após quatro dias detido nas instalações da PSP de Moscavide (Lisboa) o presidente do Benfica, entretanto suspens…

 

 

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