Festejamos por estes dias os santos populares António, Pedro e João – as suas personalidades são conhecidas e por isso lembradas; e, no meio dos foguetes, estoiraram novidades na política que nos lembraram a competição entre Pedro e António na paróquia do Partido Socialista.

Arrufos antigos de quem partilhou peregrinações passadas, unidos que estiveram quando foi necessário demolir o porto Seguro da confraria e a colocou na senda do poder em 2015.

O tempo que tudo deteriora e a ambição que a todos anima encarregaram-se de criar fissuras que mais não são do que oportunidades de assalto ao perfume do poder – é para isso que serve a política.

Pedro ao anunciar na televisão pública, pois claro, que decidia enquanto ministro, dispensando o parecer do Presidente da República, e contrariando o consenso produzido por António, tornou público que a sua peregrinação interior (a caminho do poder) passava a ser pública e que por isso proclamava a sua liderança, aquela de quem decide por se ver como promotor da nova realidade.

Ao fazê-lo mediu os aliados, os apoios em surdina que o abraçam e lhe deram a confiança para abrir a boca e falar; e dizer “estou na luta pela liderança do PS”.

Aos mais distraídos, lembramos uma “notícia” plantada no Expresso por “fonte” de Belém – junho de 2021 – que previa para 2023 o abandono de António.

As eleições antecipadas seguidas de maioria “absoluta” (afinal frágil, como tudo na política), criaram o cenário do prolongamento do mandato de António. Faltava “provocar o arrombo” na onda de António – neste momento o “pacificador” que tendo convidado para o “seu” governo todos os putativos sucessores – sente a necessidade de adiar as partilhas na família do (actual) poder.

Mas Pedro – desde sempre inquieto e cheio de fé nas virtualidades da “maioria de esquerda” que ilustra o seu pensamento – entende que chegou o momento de subir o degrau do confronto e “descolou” do consenso.

António, cada vez mais nas funções de avô da família, até porque a futura presidência da República lhe vai cair no colo – lá apagou o fogo de Pedro num acto de perdão que só dignifica os maiores.

A família está assim em partilhas, no horizonte mais longo de 2025; mas tudo indica que será mais cedo, bastando olhar para o vírus da inflação deste mês, superior a 8%! Os danos são perceptíveis, cabendo aos “generais” disponíveis preparar o alinhamento para a conquista do poder.

Pedro foi apenas o primeiro a avançar de forma pública, sabendo todos nós das movimentações entre facções que apenas aguardam saber quem estará em melhores condições para vencer a batalha interna.

O outro António, que está Seguro nas Caldas da Rainha, está achar um graça bestial as estas festividades de verão! Vivam os nossos “santos populares”

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Fotos de Rádio Renascença (www.rr.pt)

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