Futebol – a imagem de um país pequeno

Durante noventa minutos assistimos ontem à imagem perfeita de um país que sentindo-se grande ficou de joelhos. É de sempre. Abrimos novos mundos ao mundo, arrecadamos o ouro do Brasil, desenhamos pérolas no perfume dos relvados. No momento da decisão optamos pela contenção, jogamos com os segundos do tempo e ficamos de fora na decisão.

O medo de arriscar mas sobretudo o de afirmar a nossa convicção; optamos pela cautela, pelo cálculo do conveniente, mesmo com um exército de heróis que noutros campos traçam as emoções da vitória – e uma multidão muda regressou a casa, um país inteiro mergulhou no desalento por ter assistido à tragédia em dois actos a que assistiu e previu acontecer no desenrolar do jogo.

Todos percebemos o que estava a acontecer. Menos a liderança da equipa que, à portuguesa, serenou a equipa dado que “cautela e caldos de galinha, não fazem mal a ninguém”. Ganhou quem tinha de ganhar e para isso arriscou. E como é preciso arriscar, em Portugal.

As lideranças de que precisamos

Uma sondagem da Intercampus publicada hoje e feita para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV, indica que PS e PSD se aproximam com queda de partidos minoritários. O chumbo do orçamento sublinha o peso do centro que atinge os 77%.

A julgar por esta sondagem, se as eleições de 30 de janeiro acontecessem hoje o PS e António Costa sairiam vencedores com 39% dos votos, mais do que os 36,8 pontos da sondagem anterior. Ainda assim, iria ser mais curta a distância para o PSD, que subiu mais: 3,5 pontos percentuais para 28,1%.

Numa sondagem cujo trabalho de campo foi feito entre 5 e 11 de novembro, já depois do chumbo da proposta de orçamento, destaca-se a queda de dois pontos percentuais nas intenções de voto no Bloco de Esquerda, que derrapa de 9,7% para 7,7%. Por outro lado, o Chega desliza de 8,6% para 6,3%. O PCP baixa ligeiramente, de 5,5% para 5,3%, uma percentagem de votos inferior ao resultado das últimas eleições.

Eleições no dia 30 de Janeiro

No dia 30 lá voltaremos a votos. Que tipo de jogo iremos jogar? Com as cartas ao dispor, seria de esperar uma maior mobilização dos eleitores depois do chumbo do orçamento. E talvez a abstenção desça. Por esta sondagem PS e PSD ficam com a responsabilidade de oferecer aos portugueses uma visão de futuro que os mobilize e anime.

A ressaca do Covid, a crise económica evidente (mas calada nos grandes órgãos de comunicação social), precisam de ser vencidas. Com coragem, sem medo e sobretudo com confiança.

Uma país que no horizonte próximo (cerca de 50 anos) terá apenas sete milhões de habitantes (maioritariamente idosos) precisa de olhar hoje para o planeamento (social, económico e por isso político) e desenhar um futuro corajoso, claro e abrangente.

A opinião publicada não quer um governo “ao centro”. Mas sem ele, como podemos preparar o futuro?


Foto: https://www.abola.pt/nnh/2021-11-15/selecao-fernando-santos-deve-continuar-responda/913564

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