“Correio do Minho” despede-se de um Combatente singular

Acabo de saber que o Francisco Vieira, trabalhador do jornal Correio do Minho, ao longo de décadas, morreu hoje.
Estou destroçado e sinto-me cada vez mais isolado.
Perdi há dias o mestre José Marques, medievalista de referência europeia e meu professor. Despedi-me do seu sorriso e simplicidade dos que que são sábios e temos a sorte de tropeçar neles ao longo da vida. Fiquei escandalizado por um jornal diário de Braga — o Correio do Minho — não escrever uma linha sobre ele. É o resultado da falta de memória nas nossas redacções. Fazem do jornalismo uma profissão que não conhece a gratidão.
Perdi um grande combatente dos direitos dos trabalhadores, o padre Avelino Vieira Cardoso, pela Covid-19. Nascido a 16 de Setembro de 1931 em Ronfe, Guimarães, foi ordenado sacerdote a 14 de Julho de 1957 — ano em que nasci — e dedicou-se aos emigrantes e aos trabalhadores católicos em lutas memoráveis como o combate ao trabalho infantil. ´É um dos impulsionadores da CNASTI — Confederação Nacional de Luta contra o Trabalho Infantil.
Ó Francisco Vieira, que vais a sepultar amanhã, sexta-feira, 15 horas, em Maximinos, Braga.
 
Nunca conheci operário tão leal, frontal e dedicado à empresa! Era um herdeiro de homens como os seus Irmãos tipógrafos, alguns também já falecidos, bem como outros mestres tipográficos bracarenses de que me lembro: António Vilela, o Nadir, o Manuel Mendes, o Sebastião Vieira, o Alberto Vilaça, o José Moreira. Estou a ser injusto com outros. Peço perdão.
Era um dos melhores funcionários não jornalistas que o jornal Correio do Minho tinha. Com hora para começar o trabalho e tantos, tantos dias, sem hora para sair ao encontro dos seus em casa. Não há dinheiro que pague esta dedicação.
Confiou em nós quando avançamos com a criação da Arcada Nova SA que concorre à privatização do Correio do Minho, em 1998. Dispensou a comodidade de continuar a ser funcionário municipal porque acreditou em mim, no Pinto Soares, no Carlos Pereira, no Fernando Silva, na Paula Nogueira, no Paulo Monteiro, etc.
Nunca abandonou o director, o departamento comercial, jornalistas — com a sua alegria diária no seu trabalho de editor gráfico de publicidade.
 
Só me abandonaste uma vez: quando tiramos a foto de “família” dos 80 anos do Jornal Correio do Minho, em 2006, (em anexo) mas perdoo-te. Escusavas de levar a discrição tão longe.
 Confesso que fiquei magoado nesse dia, porque eu era o Mestre de cerimónias, mas já passou. Também me ensinaste a perdoar. E quando fomos ao Bom Jesus tirar a foto de aniversário, tive de “levar-te pelas orelhas” e mesmo assim escondeste-te atrás de um tipógrafo do Jornal Maria da Fonte, mais alto que tu.
Os anúncios do jornal — excepto os que eram publicados por agências — e os da Agência Vértice eram produzidos por ele e pelo Carlos Murta. A Publicidade representa noventa por cento das receitas de um Jornal diário.
Ele — e mais tarde — a Irene (que ele ensinou), eram parte significativa do nosso sustento, da nossa paz, da nossa serenidade.
Ele adaptou-se aos novos tempos da digitalização, quando demos o “salto”, em 1998, de um velho Windows para um moderníssimo iMac (MacIntosh), no grafismo, na paginação e na fotografia.
Eu perdi um Amigo ímpar que me inspirava todos
O Jornal Correio do Minho não sabe o que perdeu.
Mas eu sei.
Eu perdi um Amigo ímpar que me inspirava todos os dias e me saudava com carinho e um sorriso: “Bom dia, Chefe. Vamos a eles”.
Até já, Chico. Afinal, tu eras o verdadeiro Chefe.
Costa Guimarães, jornalista ex-director de Correio do Minho
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