CDS – nova disputa de liderança

Como esperado e preparado por alguns, começou a disputa pela liderança do CDS-PP, num contexto político de redefinição (?) da narrativa política do centro-direita. Esperam-se agora notícias do PSD, sendo provável uma definição até Março de 2022. O horizonte das legislativas de 2023 a isso obriga. Mas veja aqui a análise sobre o CDS da autoria de José Seabra Duque – a quem agradecemos o artigo.

 

É recorrente ouvir que o CDS só é forte quando sabe conciliar as tendências liberais, conservadoras e democrata-cristã. Esta frase tornou-se quase um mantra dos últimos anos (curiosamente a primeira recordação que tenho de Francisco Rodrigues dos Santos é a afirmar esta ideia na SIC Notícias logo a seguir à sua eleição como presidente da JP).
Ora, esta afirmação, tantas vezes repetida de forma sapencial, não é sustentada pelos factos. O melhor resultado de sempre do CDS foi em 1976, quando teve 16% dos votos. Seguiu-se a AD, tempos em que as sondagens chegaram a dar o CDS nos 20%.
Foram estes os tempos de Freitas e Adelino, onde a identidade do partido era clara. Com Lucas Pires introduziu-se o liberalismo no CDS. Ao mesmo tempo iniciou-se uma decadência de resultados que só haveria de ser invertida com Manuel Monteiro e Paulo Portas, que voltaram a reafirmar a identidade democrata-cristã do CDS.
De facto, os dois melhores resultados do CDS no século XXI são em 2009 e 2011, onde parte dos novos protagonista do partido tinha estado empenhados publicamente na campanha do referendo ao aborto, reforçando assim mais uma vez a identidade democrata-cristã do CDS.
Após o governo de Passos Coelho, e pressentido a fraqueza do PSD, o CDS decidiu ir à procura de novos eleitores. Estratégia aliás aplaudida pela quase totalidade do partido (incluindo muitos dos que hoje atacam Assunção Cristas). O resultado está à vista: os dois piores resultados eleitorais do CDS. De facto, o que a realidade indica é que quando o CDS tenta ser liberal, conservador e democrata-cristão ao mesmo tempo, não ganha novos eleitores, mas perde vários dos antigos.
O CDS tem um problema estrutural: a incapacidade de afirmar a sua identidade. E é este o debate que urge ter. Infelizmente, parece que os candidatos estão mais interessados em ataques pessoais, na fulanização da política, e na atribuição de responsabilidades, numa espiral autofágica que nem a ameaça do abismo parece esmorecer.
Receio que o próximo congresso seja, mais uma vez, um lavar de roupa suja em público, em vez de uma oportunidade de debater a verdadeira crise do CDS. Mas se os candidatos não estão interessados em debater ideias para afirmar a identidade do partido, não se espantarão se outros o fizerem por eles.
Pode ser uma imagem a preto e branco de uma ou mais pessoas, pessoas em pé e texto que diz "1 C.D.S."
Texto e foto – José Seabra Duque

 

 

 

 

 

 

 

 


Foto Jornal de Negócios in: https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/nuno-melo-disputa-lideranca-do-cds-por-imperativo-de-consciencia-e-diz-que-e-tempo-de-unir

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