Cambalacho no futebol em Viana

Uma lista alternativa ao actual poder da Associação de Futebol de Viana do Castelo não conseguiu concorrer às eleições dadas as “impossibilidades” criadas pela mesa da assembleia geral. Veja o comunicado de quem ficou de fora:

“Por uma AFVC dinâmica e moderna, rumo ao centenário”

A nossa candidatura assume o lema “Uma associação dinâmica e moderna,
a caminho do centenário” com o objetivo essencial de aproximação de
todos, numa associação de todos.
No início deste projeto, tivemos o cuidado de encontrar candidatos aos
órgãos sociais oriundos dos dez concelhos do nosso distrito, para que todas
as localidades se sentissem próximas e parte integrante da Associação de
Futebol de Viana do Castelo.
O projeto que foi apresentado pelo distrito aos clubes, bem como às
autarquias, assenta em variadíssimas propostas de aproximação e
descentralização, onde todos possam respirar mais e melhor futebol.
Durante todas as apresentações, fomos elogiados por todos os clubes sem
exceção. Quando percebemos que a apresentação de uma lista à AFVC
pressupõe a subscrição de uma percentagem de clubes ficamos perplexos
e sentimos que os dirigentes não se sentiram confortáveis com essa
situação porque poderiam sofrer represálias por subscrever uma lista
totalmente independente.
Este foi o primeiro momento em que percebemos que este caminho não ia
ser fácil. Quando os dirigentes vivem com medo de represálias e de
expressar livremente a sua opinião dentro de uma associação que os
representa, pergunto qual é o estado da democracia interna desta
associação?
Nesta fase, notou-se claramente, por parte dos dirigentes, um
desconhecimento das suas obrigações perante a AFVC num processo
eleitoral e muitos diziam desconhecer até a existência de eleições. Na nossa
opinião, os dirigentes têm urgentemente de repensar a forma de estar na
sua associação. Têm de ser mais activos e interventivos para o crescimento
da mesma. Têm de discutir alterações aos estatutos, para que não
aconteçam omissões e decisões como foram cometidas nos últimos tempos
por parte da Mesa da Assembleia Geral, que, como se viu, num dia diz uma
coisa e no outro diz o seu contrário, sem que nada nem ninguém lhe faça
frente.
São os clubes que devem intimar a Mesa a prestar esclarecimentos sobre
tudo o que tem acontecido e, se necessário for, imputar-lhe
responsabilidades.
Em julho de 2020, quando estávamos a 5 meses das eleições de Dezembro
de 2020, a nossa lista solicitou esclarecimentos à Assembleia Geral da
Associação de Futebol de Viana do Castelo relativamente ao processo
eleitoral. A resposta que obtivemos é que não receberíamos qualquer
informação por parte da Assembleia Geral.
Preparamos o processo seguindo as regras que os estatutos preveem e, em
Novembro de 2020, a Assembleia Geral toma uma decisão que prejudicou
o futebol distrital e, muito mais grave, contra a vontade expressa dos clubes
que não queriam o adiamento das eleições.
Pergunto o que aconteceu à Mesa da AG por tomar uma decisão leviana e
à revelia da vontade de quem a elegeu? Nada.
Mais uma vez os clubes baixaram a cabeça e aceitaram. Relembro que nesta
altura, nós vínhamos de um período de três meses de trabalho, a percorrer
o distrito e a apresentar o nosso projecto aos clubes. Estávamos preparados
para ir a eleições em Dezembro e disputar democraticamente a vontade
dos clubes. Mas mais uma vez, fomos desrespeitados deliberadamente.
A decisão do adiamento das eleições para uma data incerta, certamente
nos apanharia desprevenidos ou até mesmo, quem sabe, nem nos
aperceberíamos de que estavam marcadas.
Com meses de incerteza pela frente, quisemos que o nosso grupo de
trabalho não caísse no vazio e fomos trabalhando neste primeiro semestre
em várias reuniões via zoom para consolidar o nosso projecto. Trabalhamos
todos com muito empenho, para no início da próxima época estarmos
preparados para concretizar o que nos comprometemos, se assim fosse a
vontade dos clubes.
No dia 4 de junho, os clubes são notificados, às 23 horas de uma sexta-feira,
curiosamente ponte do feriado de Corpo de Deus, em que muitas pessoas
aproveitavam o fim de semana prolongado, com a convocatória das
eleições que estipulava que as candidaturas teriam ser apresentadas em
dois dias úteis. É no mínimo curiosa, mais uma vez, esta actuação por parte
da Mesa da Assembleia Geral.
Tivemos que recolher toda a documentação em contrarrelógio e sentimos
claramente que esta convocatória em cima do joelho foi para apanhar
(alguns) candidatos desprevenidos. Recordamos que cada lista tem de ter
59 elementos aos quais são pedidos vários documentos, como o registo
criminal que tem um prazo de validade. Nós já tínhamos essa
documentação reunida, em dezembro de 2020. E agora tivemos que a
reunir novamente, em dois dias. Mas, nas 48 horas seguintes entregamos
toda a documentação nos serviços da AFVC. Entregamos um dossier com
276 documentos.
O presidente da Assembleia Geral, Rui da Purificação, por telefone,
informa-me que iria analisar todas as candidaturas e, caso fosse necessária
alguma correção, disse que iria dar tempo para corrigir.
No sábado, dia 12 de junho, somos informados de que a nossa lista não foi
aceite porque na listagem dos candidatos aos diferentes órgãos não
especificamos o cargo a que se candidatavam e porque, nas subscrições dos
clubes, faltavam as assinaturas de mais dois representantes legais. Estes
dois aspectos, gravíssimos na opinião da Mesa da Assembleia-Geral, não
permitiram aceitar a nossa lista.
Imediatamente, contactei o presidente da Mesa que me disse para
submeter um requerimento a solicitar um prazo para a correção dos
elementos em falta. Submetemos esse requerimento no mesmo dia e
começamos imediatamente a recolher os documentos em falta para
entregar na segunda-feira seguinte na AFVC.
Surpreendentemente, recebemos uma deliberação da Mesa da
Assembleia-Geral a informar-nos que, espantem-se!, não tinha
competência para nos dar prazo nenhum para correcção do que quer que
fosse. E que, portanto, uma lista rejeitada uma vez, é rejeitada para sempre
porque não há prazo para corrigir nada.
Esta situação chega a roçar o surrealismo. Recordamos que neste ano civil
houve várias eleições para associações de futebol pelo país e todas elas
necessitaram de efetuar correções e puderam fazê-las. Mas em Viana do
Castelo, não. Somos diferentes do resto do país. Já suspeitávamos que a
democracia era escassa, mas nunca pensamos que a AFVC fosse uma
ditadura deste calibre.
A Mesa da Assembleia Geral está a ser liderada por um senhor que diz,
inclusivamente à comunicação social, que será dado um prazo, e assina
deliberações a atestar o seu contrário com a maior desfaçatez.
Em Viana do Castelo, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da AFVC
não tem competência para conceder prazos de regularização de
candidaturas. Então tem competência para quê, afinal? Só tem
competência para rejeitar uma lista porque sabe que essa lista vai ser
vencedora? Não tenhamos dúvidas de que esta postura tem como único
objectivo não nos deixar ir a eleições porque sabem que iríamos ganhar.
Sabem que o nosso projecto não tem rabos de palha, não está
comprometido com ninguém nem com nada, não fez promessas vãs, não
desbaratou os nossos valores nem os princípios que deveriam reger
qualquer associação.
Como se isto não fosse o bastante, surgem-nos muitas dúvidas sobre a
equidade com que todo este processo está a ser gerido entre as três listas.
Não há transparência em nada do que sai desta AFVC e neste acto eleitoral,
que pela primeira vez tem mais do que uma lista, não se cuidou de disfarçar
o espírito tacanho, déspota e obscuro que tem existido há demasiados
anos.
Não terminamos este processo, vamos continuar atentos ao que se passa
na Associação de Futebol de todos nós. Entramos neste projecto desportivo
com valores e comportamentos éticos e, apesar de todos os juristas que
nos acompanham serem unânimes em afirmar que toda esta tramitação é
ilegal e a lei está do nosso lado, não queremos que os tribunais decidam
estas situações. Mas apelamos a que os clubes, de uma vez por todas,
assumam mais a vossa associação. Não continuem acomodados ao
marasmo que há demasiado tempo grassa no nosso futebol distrital.
Acordem!
Ao longo de quase dois anos, dei o melhor de mim porque acredito neste
projecto e nas pessoas que escolhi para me acompanharem. Sei que nós
iríamos mudar a AFVC e dar-lhe o dinamismo e modernidade que há muito
tarda. Disputamos este jogo seguindo as regras, não fizemos rasteiras aos
adversários porque acreditamos nas vitórias limpas.
Aproveito para agradecer às 58 pessoas que juntamente comigo ajudaram
crescer este projecto, a todos os dirigentes que subscreveram na nossa lista
e acreditam neste projecto que seria único para o crescimento do futebol
distrital.
Continuamos a ser apaixonados pelo futebol.

Candidato Rui Fernandes

 

 

Logo

Nascemos porque acreditamos que a Regionalização é uma prioridade política nacional capaz de criar novos dinamismos sociais e económicos para construir uma sociedade mais justa e próspera.

Politicamente inconvenientes precisamos que seja nosso aliado na defesa da região Norte para enfrentarmos os desafios de sempre. Sem medo, com a independência que nos é oferecida pelos nossos leitores de quem dependemos ao produzir diariamente os conteúdos noticiosos que editamos.

Esteja connosco nesta luta comum. ASSINE AQUI. Obrigado

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com