Metade de Portugal vive por… “debaixo da mesa”

“As gorjetas são o nosso pão”  — dizem os trabalhadores de casinos, com os rendimentos reduzidos a um terço, em protesto junto ao Parlamento. Como é que um país tolera e fecha os olhos a uma das maiores indústrias do dinheiro e da sua lavagem, onde as gorjetas são o pão dos trabalhadores?

Para estes profissionais, leio no Expresso on-line, as gratificações compõem a maioria do que ganham todos os meses mas não são consideradas para os apoios, apesar de pagarem impostos sobre elas. O Bloco de Esquerda promete levar a questão a plenário e o PCP apoia.

Portugal está no 33.º lugar no índice de perceção da corrupção, ao mesmo nível de países como o Butão e Porto Rico. A economia paralela e subterrânea em Portugal representar 25% do PIB e a “crise não favorece o combate à corrupção”.

Estamos a falar de 49 mil milhões de euros — um valor capaz de suportar o orçamento do Ministério da Saúde durante cinco anos. Isto é tão querido quando estamos doentes e precisamos do SNS.

Com a  previsível quebra de rendimento das famílias e das empresas, espera-se que as pessoas procurem, cada vez mais um rendimento alternativo para sobreviver. Por isso, a economia sub-declarada “passa a ser um melhor negócio” (cf.https://rr.sapo.pt/2020/05/05/economia/covid-19-fara-com-que-peso-da-economia-paralela-no-pib-aumente-significativamente/especial/191631/).

É previsível que aumente, porque se houver quebra de rendimento das famílias, das empresas, e dos agentes económicos é expectável que as pessoas procurem rendimento alternativo para sobreviver. E a economia não registada acabará por ser o melhor negócio, se quisermos assim dizer, se pensarmos em termos de economia oculta, subterrânea e sub-declarada. Passa objetivamente a ser um melhor negócio do que era antes. Não creio que passe a haver muitos negócios que passem a ter um rendimento de 23%. Se fugir ao IVA, tenho essa mais-valia de 23%.

Haja decoro e respeito por quem trabalha e tem de declarar tudo o que ganha para impostos.

Haja vergonha por aqueles todos que receberam por “debaixo da mesa”, não pagaram imposto nenhum, e agora querem que sejamos nós, que não recebemos nada sob a mesa verde, a pagar.

Por que se queixam agora?

Nunca perceberam que, um dia, isto ia acontecer?

Nunca perceberam ou nenhum sindicalista lhes disse que, mais tarde ou mais cedo, a mesa verde ou a slot-machine iam partir-se ou avariar?

Que seja esta a grande lição da Covid 19:

  • pagas? pedes recibo.
  • Vendes? passas factura.
  • O multibanco avariou — quantas vezes está no aviso à porta — obriga-te a pedir fatura/recibo. Se todos pagarmos, todos pagamos menos. Não sejas masoquista, a não ser que gostes de levar com o chicote fiscal.

Quando não venderes, em tempo de pandemia, podes declarar perda de rendimentos e receber o meu apoio (através dos meus impostos).

Se continuarem a fazer o mesmo — não pedir recibo, não passar factura ou avariar o multibanco — não contem comigo.

Assim também eu sou liberal.

Quando o sino toca a rebate, quem não vai à missa, não percebe o badalar lancinante dos sinos  e não pede nem dá socorro.

Seja qual for o sector de actividade.

Pode ser um funeral? Já não sei.

É capaz de ser um enterro para muitos milhares de portugueses que se deixaram contagiar pelo (in)cumprimento dos seus deveres de cidadania fiscal.

Costa Guimarães, jornalista

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