Os Golaços do Padre Lemos

PONTE DA BARCA –  PADRE MANUEL LEMOS:  Se ele me aparecia na frente, eu deixava de roer as unhas!

Deus (seja o Pai, ou o Filho, ou mesmo o Espírito Santo, porque podem ir os três para a baliza, mas o terceiro é o melhor guardião da nossa Igreja Católica) não se vai esquecer deste golo imortal do Manuel Oliveira Lemos, de Paradamonte, Britelo, Ponte da Barca. E, ao ver a bola entrar na baliza, ele gritou fulminantemente: “Mamai lá este golo: eu tinha muito mais a dar àquelas gentes simples de Rubiães, Cunha e Agualonga que me adoravam”. Ele era assim: indomável durante o jogo e uma ovelha mansa quando o padre Costa Santos apitava para o fim.

Hoje chorei tanto (6 de Outubro de 2021). 

Perdi um dos melhores pedaços da minha juventude nos Seminários de Braga, que foi a sepultar hoje, dia 8 de Outubro, na sua terra natal, ao som dos cânticos do Chorus Anima Populi, de Guimarães, constituído em grande parte por companheiros seus.

O Padre Manuel Oliveira Lemos, nascido à sombra do Castelo e dos espigueiros do Lindoso, despediu-se de nós, sem me dizer “adeus, Costinha”. Há uns dois meses tive uma longa conversa com ele a recordar tão bons e velhos tempos e ele não me quis inquietar. Falou-me de uns problemas com Parkinson que estavam ultrapassados. “Agora, está tudo bem” — garantiu. Passadas tão poucas semanas, o José Mesquita, da Meadela, Viana do Castelo, deposita-nos a bomba: “o Lemos morreu!”

Faleceu aquele ponta de lança contra quem eu adorava jogar nos treinos da Selecção dos Seminários de Braga e ele sabia que enfrentar-me (o Professor-treinador Manuel Costa Santos chamava-me o Walter Zenga, enorme guarda-redes italiano) era a melhor forma de treinar para os jogos inter-escolas secundárias e Seminários de Braga e arredores. O que me valia era o Padre Albino Fonseca que era um  enorme defesa central.

Fizemos muitos jogos com a camisola dos Seminários de Braga (Santiago e Conciliar — Santa Margarida). Após os treinos, ficávamos os dois a treinar a marcação de grandes penalidades. Não podia ser muito tempo, porque tinha de ensaiar o Grupo Coral da Schola Cantorum, onde eu era o organista mais o António Luís Esteves (também já falecido).

Acabados os estudos no Seminário — transformado em Instituto Superior graças aos esforços do Padre Jorge Coutinho, Manuel da Costa Santos, Oliveira Fernandes e outros — o Lemos (era assim que era conhecido) seguiu a carreira de jogador no futebol federado, aliando à condição de pároco — no Vila Nova de Muía, se a memória não me falha, espalhando o esplendor e o perfume do seu futebol. Ávido de golos, foi para Paredes de Coura onde serviu as comunidades de Rubiães (com a sua singular Igreja Românica), Agualonga e Cunha. Tinha sido momeado para uma quarta paróquia — disse-me ele nessa conversa — mas o pâncreas não deixou tomar posse.

Natural de Britelo (lugar de Paradamonte), em Ponte da Barca, tinha a seu cargo estas paróquias de Paredes de Coura. Há uns dois meses, recordamos estas goleadas e outras histórias, porque um jornalista do Diário do Minho, José Ferreira lhe deu o meu novo número de telemóvel, e conseguimos pôr a escrita em dia. A conversa terminou com um convite para um almoço, em breve. Será em breve, Lemos, com toda a certeza.

O Manuel Oliveira Lemos adorava o futebol, mas amava a escrita e era um excelente actor de teatro. Eu testemunhei essas paixões, como demonstram as fotos que aqui deixo do meu baú de memórias.

Hoje, não tenho dúvidas.

Pelo sofrimento que passou nos últimos meses, em luta contra um dos cancros mais mortíferos, sei que Deus, na sua baliza, já sofreu um golaço daqueles, de levantar o estádio celestial.

Nem Deus (seja o Pai, seja o Filho, seja o Espírito Santo, porque podem ir os três para a baliza) se vão esquecer deste golo imortal do Manuel Lemos.

E, ao ver a bola entrar na baliza, ele gritou: ““Mamai lá este golo: eu tinha muito mais a dar àquelas gentes simples de Rubiães, Cunha e Agualonga que me adoravam”. 

Ele era assim: indomável durante o jogo e uma ovelha mansa quando o padre Manuel da Costa Santos apitava para o fim de jogo,

É claro que o Trio vai responder: “nós somos um pouco egoístas e queríamos ver a magia dos teus golos ao vivo“.

Tenho a certeza que o Trio sofreu mais que eu, com tantos golos que me marcou, ao longo de vários anos.

Mas este Trio está com Alzheimer: o Manuel Lemos não era apenas um excelente jogador de futebol.

Ela era um enorme actor de teatro e também um jovem disponível para colaborar na revista Cenáculo (a única revista feita por alunos de Filosofia e Teologia na Península Ibérica, nas décadas de sessenta, setenta e oitenta).

Os seus directores e colaboradores de administração eram eleitos pelos alunos de Filosofia e Teologia, mesmo antes do 25 de Abril. Isso acontecia nos Seminários de Braga.

É verdade. As fotos não vos deixam dúvidas.

Na foto a cores, na sua terra, antes de um jogo com uma equipa da EDP do Lindoso. o Lemos é o primeiro (tinha de ser e é o único a sorrir porque nós estávamos acagaçados) a contar da Direita, de pé, ao lado de outro  guerreiro do tamanho do mundo (o Padre Albino Fonseca). Sei que ganhamos 9-1, mas não me lembro quantos golos marcou o Lemos. Foi para aí uma meia dúzia.

Depois aparece um imberbe de camisola vermelha que era o guarda redes frangueiro, autor deste pretenso escrito.

Quando começamos a ver partir os da nossa idade, começamos a pensar em viver mais intensamente o pouco que nos falta. É a grande lição que o Manuel Lemos nos deixa. Não deixes para amanhã o que podes e deves fazer hoje. Era este o alimento do seu sorriso.

Neste dia triste, o jornalista José Ferreira (do Diário do Minho), enviou-me uma mensagem onde escreve: “Meu bom amigo, eu acordei com esta notícia triste. Pensei logo em ti e enviei-te mensagem.  Deus leva os que mais ama”.

Amigo, conta-me o José Ferreira, no intervalo das suas reportagens sobre o património de Paredes de Coura, não imaginas o brilho nos olhos do Padre Lemos quando falava de ti. Contou-me que quando todos iam passear, vós permanecíeis no campo de futebol. Ele a rematar e tu a defender. Contou-me ainda do teu vício em roer as unhas… a meio do jogo contava ele, tiravas as luvas só para roer as unhas… e se a equipa adversária contra-atacava toca a pôr as luvas à pressa… tudo isto contado com um brilho nos olhos e com tanto orgulho em ti. Grande abraço!” 

Desculpem esta imodéstia, leitores. Ele dava tudo para jogar contra mim. Eu amava jogar contra ele. Ele era o melhor avançado que nós tínhamos na nossa selecção. Não há melhor terapia para um guarda redes que enfrentar um ponta de lança como ele. Crescemos muito os dois naqueles anos maravilhosos. Como ponta de lança, era “intratável” para a minha defesa e para mim.

 

A segunda foto, é da equipa da Revista Cenáculo, durante uma visita que o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro nos fez, Podemos ver na foto outro Cardeal Monteiro de Castro, o Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Ferreira Cabral. Atrás deste está o Manuel Lemos. A foto recorda ainda o António Luís Esteves (outro crânio já falecido), o Abílio Cardoso, o António Rodrigues, o Manuel José Pinheiro, o José Augusto Araújo Veloso, o eterno Padre Jorge Coutinho, o Adão da Silva Lima e eu (segundo a contar da direita, de pé).

Finalmente, uma foto do Grupo de Teatro S. João Bosco, do Seminário Conciliar de Braga. Fui ao meu baú e encontrei. Só não sei se a peça se chamava “As sandálias do Pescador”, escrita por Morris West. Eu era apenas contra-regra.

 

O Padre Manuel Lemos era diferente de todos. Eu posso dizer que conheci um Homem Santo, neste tempo de tanta vergonha para os católicos. Ele é um bálsamo.

E agora, a finalizar, porque ninguém nos lê. Pois não?

O Padre Manuel Oliveira Lemos soube que, numa das suas paróquias, uma família já não tinha carne em casa há dois meses.  

Ele foi ao talho e comprou cerca cem euros em carnes variadas. 

Pediu para guardar os sacos porque alguém iria buscá-los. 

Quando chegou a casa, pediu a um rapazito da catequese para ir levantar os sacos e levá-los àquela casa. 

Deu-lhe uma ordem: “se perguntarem quem mandou, diz que não sabes nada”. 

 

Desculpa, Lemos. Mas não podia calar este segredo nosso. Perdão. Foi um golaço e não foi de grande penalidade. Foi à tua maneira. Única. Será por isso que o Trio maravilha (Pai, Filho e Espírito Santo) te roubou de nós tão cedo?

Costa Guimarães, jornalista

 

 

 

 

 

Deus (seja o Pai, ou o Filho, ou mesmo o Espírito Santo, porque podem ir os três para a baliza, mas o terceiro é o melhor guardião da nossa Igreja Católica) não se vai esquecer deste golo imortal do Manuel Oliveira Lemos, de Paradamonte, Britelo, Ponte da Barca. E, ao ver a bola entrar na baliza, ele gritou fulminantemente: “Mamai lá este golo: eu tinha muito mais a dar àquelas gentes simples de Rubiães, Cunha e Agualonga que me adoravam”. Ele era assim: indomável durante o jogo e uma ovelha mansa quando o padre Costa Santos apitava para o fim.

Hoje chorei tanto (6 de Outubro de 2021). 

Perdi um dos melhores pedaços da minha juventude nos Seminários de Braga, que foi a sepultar hoje, dia 8 de Outubro, na sua terra natal, ao som dos cânticos do Chorus Anima Populi, de Guimarães, constituído em grande parte por companheiros seus.

O Padre Manuel Oliveira Lemos, nascido à sombra do Castelo e dos espigueiros do Lindoso, despediu-se de nós, sem me dizer “adeus, Costinha”. Há uns dois meses tive uma longa conversa com ele a recordar tão bons e velhos tempos e ele não me quis inquietar. Falou-me de uns problemas com Parkinson que estavam ultrapassados. “Agora, está tudo bem” — garantiu. Passadas tão poucas semanas, o José Mesquita, da Meadela, Viana do Castelo, deposita-nos a bomba: “o Lemos morreu!”

Faleceu aquele ponta de lança contra quem eu adorava jogar nos treinos da Selecção dos Seminários de Braga e ele sabia que enfrentar-me (o Professor-treinador Manuel Costa Santos chamava-me o Walter Zenga, enorme guarda-redes italiano) era a melhor forma de treinar para os jogos inter-escolas secundárias e Seminários de Braga e arredores. O que me valia era o Padre Albino Fonseca que era um  enorme defesa central.

Fizemos muitos jogos com a camisola dos Seminários de Braga (Santiago e Conciliar — Santa Margarida). Após os treinos, ficávamos os dois a treinar a marcação de grandes penalidades. Não podia ser muito tempo, porque tinha de ensaiar o Grupo Coral da Schola Cantorum, onde eu era o organista mais o António Luís Esteves (também já falecido).

Acabados os estudos no Seminário — transformado em Instituto Superior graças aos esforços do Padre Jorge Coutinho, Manuel da Costa Santos, Oliveira Fernandes e outros — o Lemos (era assim que era conhecido) seguiu a carreira de jogador no futebol federado, aliando à condição de pároco — no Vila Nova de Muía, se a memória não me falha, espalhando o esplendor e o perfume do seu futebol. Ávido de golos, foi para Paredes de Coura onde serviu as comunidades de Rubiães (com a sua singular Igreja Românica), Agualonga e Cunha. Tinha sido momeado para uma quarta paróquia — disse-me ele nessa conversa — mas o pâncreas não deixou tomar posse.

Natural de Britelo (lugar de Paradamonte), em Ponte da Barca, tinha a seu cargo estas paróquias de Paredes de Coura. Há uns dois meses, recordamos estas goleadas e outras histórias, porque um jornalista do Diário do Minho, José Ferreira lhe deu o meu novo número de telemóvel, e conseguimos pôr a escrita em dia. A conversa terminou com um convite para um almoço, em breve. Será em breve, Lemos, com toda a certeza.

O Manuel Oliveira Lemos adorava o futebol, mas amava a escrita e era um excelente actor de teatro. Eu testemunhei essas paixões, como demonstram as fotos que aqui deixo do meu baú de memórias.

Hoje, não tenho dúvidas.

Pelo sofrimento que passou nos últimos meses, em luta contra um dos cancros mais mortíferos, sei que Deus, na sua baliza, já sofreu um golaço daqueles, de levantar o estádio celestial.

Nem Deus (seja o Pai, seja o Filho, seja o Espírito Santo, porque podem ir os três para a baliza) se vão esquecer deste golo imortal do Manuel Lemos.

E, ao ver a bola entrar na baliza, ele gritou: ““Mamai lá este golo: eu tinha muito mais a dar àquelas gentes simples de Rubiães, Cunha e Agualonga que me adoravam”. 

Ele era assim: indomável durante o jogo e uma ovelha mansa quando o padre Manuel da Costa Santos apitava para o fim de jogo,

É claro que o Trio vai responder: “nós somos um pouco egoístas e queríamos ver a magia dos teus golos ao vivo“.

Tenho a certeza que o Trio sofreu mais que eu, com tantos golos que me marcou, ao longo de vários anos.

Mas este Trio está com Alzheimer: o Manuel Lemos não era apenas um excelente jogador de futebol.

Ela era um enorme actor de teatro e também um jovem disponível para colaborar na revista Cenáculo (a única revista feita por alunos de Filosofia e Teologia na Península Ibérica, nas décadas de sessenta, setenta e oitenta).

Os seus directores e colaboradores de administração eram eleitos pelos alunos de Filosofia e Teologia, mesmo antes do 25 de Abril. Isso acontecia nos Seminários de Braga.

É verdade. As fotos não vos deixam dúvidas.

Na foto a cores, na sua terra, antes de um jogo com uma equipa da EDP do Lindoso. o Lemos é o primeiro (tinha de ser e é o único a sorrir porque nós estávamos acagaçados) a contar da Direita, de pé, ao lado de outro  guerreiro do tamanho do mundo (o Padre Albino Fonseca). Sei que ganhamos 9-1, mas não me lembro quantos golos marcou o Lemos. Foi para aí uma meia dúzia.

Depois aparece um imberbe de camisola vermelha que era o guarda redes frangueiro, autor deste pretenso escrito.

Quando começamos a ver partir os da nossa idade, começamos a pensar em viver mais intensamente o pouco que nos falta. É a grande lição que o Manuel Lemos nos deixa. Não deixes para amanhã o que podes e deves fazer hoje. Era este o alimento do seu sorriso.

Neste dia triste, o jornalista José Ferreira (do Diário do Minho), enviou-me uma mensagem onde escreve: “Meu bom amigo, eu acordei com esta notícia triste. Pensei logo em ti e enviei-te mensagem.  Deus leva os que mais ama”.

Amigo, conta-me o José Ferreira, no intervalo das suas reportagens sobre o património de Paredes de Coura, não imaginas o brilho nos olhos do Padre Lemos quando falava de ti. Contou-me que quando todos iam passear, vós permanecíeis no campo de futebol. Ele a rematar e tu a defender. Contou-me ainda do teu vício em roer as unhas… a meio do jogo contava ele, tiravas as luvas só para roer as unhas… e se a equipa adversária contra-atacava toca a pôr as luvas à pressa… tudo isto contado com um brilho nos olhos e com tanto orgulho em ti. Grande abraço!” 

Desculpem esta imodéstia, leitores. Ele dava tudo para jogar contra mim. Eu amava jogar contra ele. Ele era o melhor avançado que nós tínhamos na nossa selecção. Não há melhor terapia para um guarda redes que enfrentar um ponta de lança como ele. Crescemos muito os dois naqueles anos maravilhosos. Como ponta de lança, era “intratável” para a minha defesa e para mim.

A segunda foto, é da equipa da Revista Cenáculo, durante uma visita que o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro nos fez, Podemos ver na foto outro Cardeal Monteiro de Castro, o Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Ferreira Cabral. Atrás deste está o Manuel Lemos. A foto recorda ainda o António Luís Esteves (outro crânio já falecido), o Abílio Cardoso, o António Rodrigues, o Manuel José Pinheiro, o José Augusto Araújo Veloso, o eterno Padre Jorge Coutinho, o Adão da Silva Lima e eu (segundo a contar da direita, de pé).

Finalmente, uma foto do Grupo de Teatro S. João Bosco, do Seminário Conciliar de Braga. Fui ao meu baú e encontrei. Só não sei se a peça se chamava “As sandálias do Pescador”, escrita por Morris West. Eu era apenas contra-regra.

O Padre Manuel Lemos era diferente de todos. Eu posso dizer que conheci um Homem Santo, neste tempo de tanta vergonha para os católicos. Ele é um bálsamo.

E agora, a finalizar, porque ninguém nos lê. Pois não?

O Padre Manuel Oliveira Lemos soube que, numa das suas paróquias, uma família já não tinha carne em casa há dois meses.  

Ele foi ao talho e comprou cerca cem euros em carnes variadas. 

Pediu para guardar os sacos porque alguém iria buscá-los. 

Quando chegou a casa, pediu a um rapazito da catequese para ir levantar os sacos e levá-los àquela casa. 

Deu-lhe uma ordem: “se perguntarem quem mandou, diz que não sabes nada”. 

Desculpa, Lemos. Mas não podia calar este segredo nosso. Perdão. Foi um golaço e não foi de grande penalidade. Foi à tua maneira. Única. Será por isso que o Trio maravilha (Pai, Filho e Espírito Santo) te roubou de nós tão cedo?

Costa Guimarães, jornalista

 

 

 

 

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