O alerta severo do Covid sobre o nosso estilo de vida

O Covid está aí num susto que continua e nos deve deixar todos alerta. Maria do Céu Ameixinha de Abreu, coordenadora do centro de vacinação do ACeS Braga partilha connosco as suas preocupações, ela que enfrenta enquanto enfermeira esta epidemia todos os dias, agora no centro de vacinação.

RN – O susto do covid terá servido para quê? acha que marcará a actual geração nos cuidados a ter nas áreas da saúde e outras?

MCAB – Na minha modesta opinião e sensibilidade “o susto Covid”  foi um alerta severo, intimidante à Humanidade de que é necessário acordar urgentemente para a necessidade de rever os nossos comportamentos, estilos de vida, sentimentos e intervenções com tudo o que faz parte da nossa existência e coabitação neste mundo e com as pessoas que o partilham connosco…não vivemos numa ilha isolada, fechada, independente e autónomos … todos somos um só… não podem ser só alguns a ter comportamentos e estilos de vida saudáveis temos de encontrar um novo caminho e rumo para que se evitem sustos terríveis como este ou ainda piores e de propagação mais rápida e curta do que este…temos de apreender a grande lição de que todos somos um só…o que eu faço, penso ou deixo de fazer influencia tudo e todos à minha volta e se não o fizer de acordo com que é o melhor para todos , caso contrário seremos uns “criminosos “…cuidemos da saúde de todos para que todos possamos cuidar da nossa saúde individual…a marca inapagável desta pandemia é que  cada um de nós é o elo mais importante no equilíbrio e bem estar da Humanidade .

RN- O século XXI começou com o Covid?

Não concordo com quem diz que o Século XXI começou com “o Covid”, em 2009 tivemos a pandemia H1N1(Vulgo Gripe A) tivemos o 1º grande aviso do seculo XXI que era importante , urgente mudar determinados comportamentos e intervenções , assim foram implementadas algumas medidas  que felizmente não deixaram que essa pandemia fosse tão devastadora como se previa e ai  tivemos o bom senso de implementar medidas como a Lavagem correta e frequente das mãos, medidas de etiqueta respiratória( como tossir) e a rápida vacinação em massa para o H1N1…e tudo correu bem mas depois como tudo se resolveu rapidamente logo tudo ficou esquecido e a memória tornou-se volátil e não mantivemos alguns desses bons princípios. Sem qualquer dúvida que a pandemia da SARSCOV2 terá implicações na forma de vida como a conhecemos e como nos relacionamos…a nível psicológico experienciamos de perto ou na 1ª pessoa o sofrimento, a dor, a morte, o isolamento, a impotência de poder fazer algo e não conseguirmos, o não podermos estar perto de quem amamos e conhecemos…aprendemos a comunicar, a trabalhar e a estudar através de outros meios e outras formas…claro que a internet e as ferramentas tecnológicas deram uma ajuda preciosa e até acelerou o engenho e arte aos mais céticos, o seu bom uso…a nível da saúde sem dúvida que houve mudanças, os serviços tiveram de se reinventar em termos organizacionais e estruturais, reformularam-se serviços e criaram- se novos ainda que sazonais ou ocasionais e houve solidariedade e entreajuda Profissional que é importante que não se perca…pois perante uma pandemia e o vírus todos fomos e somos iguais…

RN – A qualidade das relações entre humanos vai ser afectada?

Sem qualquer dúvida que as relações entre humanos foi e será afetada …o afastamento e distanciamento social criou barreiras e medos…as crianças nascidas neste último ano perderam o privilégio de experienciar todas as expressões e emoções faciais…ficaram só com o olhar e voz…a expressão labial não foi acompanhada pelo som da voz…havia uma mascara…quem não se conhecia antes da mascara quase não se reconhece sem ela e até já vi algumas pessoas que ao conhecerem-se sem mascara ficam surpreendidas e dizem não imaginava que fosses assim…o afastamento, o isolamento, a distancia social, o luto feito com ausência, a angustia nas pessoas, a sensação de impotência, o lutar contra algo invisível deixará sempre marcas, claro que as crianças vão rapidamente debelar esta situação mas por certo algumas marcas ficarão naqueles em que a retaguarda familiar e social não for capaz de contornar e daqui a 15, 20 anos teremos jovens adultos com algumas dificuldades comunicacionais e relacionais com provavelmente uma ou várias novas problemáticas associadas que constituirão novos desafios para a intervenção em Saúde …

RN – A experiência da privação (pelo menos no tempo e no espaço) com os estados de emergência e calamidade poderá levar-nos a perceber que só “nos safamos em conjunto”

Do grande Aristóteles sabemos que o Ser capaz de  viver isoladamente ou é uma besta ou é um Deus” sendo que o Ser Humano é sociável por natureza  a experiência da privação se inicialmente pode ser desafiante logo, logo se torna uma prisão , uma tortura, uma claustrofobia, ainda mais quando é decretado estado de emergência e calamidade  sentimo-nos isolados, sem liberdade, sós mesmo que acompanhados e com tendência a ficar sem rumo mesmo os que têm uma personalidade bem estruturada e forte vacilam…mas ai lembramo-nos que somos ser comunicantes e sociais para o bem e para o mal…

A primeira e maior lição desta Pandemia foi a de que não estamos sós e que só em conjunto vencemos…e só assim será possível ultrapassá-la com união, solidariedade e como um TODO uno e indivisível em equilíbrio que é muito mais que soma das partes individuais…e até na rápida descoberta da vacinação se espelhou esta máxima e que espero continue a ser o novo paradigma no após pandemia Covid…

RN – Que experiência retira desta operação “vacinação COVID”

Como Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública e sabendo o que implica uma pandemia o que se deseja desde o 1º instante é uma vacina para se poder minimizar os danos e riscos inerentes…é Esperança ao fundo túnel.

Tive o privilégio de ser uma das primeiras Enfermeiras vacinadoras e o momento da administração da 1ª vacina no ACES de Braga ficará eternizado na minha memória…nunca esquecerei a emoção, a alegria, a esperança e a comoção de saber que aquele era o momento da viragem histórica desta pandemia.

Tenho que parabenizar toda a comunidade científica e investigadora pelo excelente trabalho realizado na descoberta e operacionalização da Vacinação COVD19 bem como parabenizar os lideres políticos de todo o mundo pelo brilhante esforço de que a vacina fosse uma realidade equitativa, igualitária e de acesso gratuito a toda a população…a vacina é sempre o tesouro mais valioso para a prevenção e minimização dos riscos numa pandemia e nas sequelas que …Não posso deixar de referenciar o excelente trabalho Ministério da Saúde, DGS e do SNS de Portugal e em especial do ACES Braga, do Município de Braga e Invest Braga na criação do Centro de Vacinação COVID19 de Braga e aos seus magníficos Profissionais de Saúde que diariamente trabalham horas a fio para que a população de Braga fique toda imunizada no mais curto espaço de tempo (à data de hoje já foram administradas cerca de 55000 vacinas) e mais uma vez só em conjunto vencemos…Obrigada muito especial a quem me entregou esta missão e OBRIGADA muito especial aos que todos os dias fazem o caminho comigo neste Centro de Vacinação e em especial ao Enf. Especialista Renato Marinho …bora lá continuar com força e garra para que muito em breve possamos Ter e Ser tudo o que mais desejamos…

 

 

 

Maria do Céu Ameixinha de Abreu

 

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