Fernando Alberto Ribeiro da Silva: Apagou-se farol do Minho há um ano

A 8 de Outubro de 2020, faleceu Fernando Alberto Ribeiro da Silva, um gigantesco vimaranense, companheiro desde a primeira hora nos combates que deram origem ao PPP (PSD), a o lado de Sá Carneiro, de Fernando Mota Pinto e de Cavaco Silva ou Eurico de Melo.

Poderosíssimo líder da Comissão Política Distrital de Braga do PSD, (ao lado de Eurico de Melo), à sombra do qual muitos singraram na vida política em Lisboa, ele permaneceu sempre próximo dos seus, como Governador Civil e presidente da Assembleia Municipal de Guimarães.

Fernando Alberto Ribeiro da Silva, antigo governador civil de Braga, faleceu háum ano, aos 89 anos. O histórico militante vimaranense do PSD encontrava-se no Lar S. Francisco.

Fernando Alberto Matos Ribeiro da Silva era um destacado advogado de Guimarães, tendo ocupado vários cargos de relevo de âmbito regional e nacional. 

Nascido no coração da cidade, frequentou o ensino primário na antiga Escola de Santa Luzia, como gostava de recordar, e o secundário no Liceu de Guimarães, tendo-se licenciado em direito na Universidade de Coimbra, e a partir daí iniciado o exercício da advocacia em Guimarães até hoje, durante cerca de 60 anos”.

Foi Deputado na Assembleia Constituinte, recebeu a Comenda da Ordem de Mérito Civil, atribuída pelo Presidente da República Mário Soares, a medalha da Cidade de Guimarães em ouro. Teve um papel essencial na decisão de construção do Hospital da Senhora da Oliveira, enquanto ocupava o cargo de Governador Civil de Braga, na década de 80 do século passado. 

Guimarães perdeu um dos seus melhores, um cidadão que terá sempre lugar destacado na História desta comunidade, mas passado um ano, quem se lembrou dele?

Fernando Alberto Ribeiro da Silva foi também dirigente de diversas instituições, nomeadamente do Vitória Sport Clube e dos Bombeiros de Guimarães.

A sua primeira ação marcante na vida pública local foi quando, a 10 de dezembro de 1970, liderou o movimento “Unidade Vimaranense”, sendo o primeiro Presidente da associação cívica então criada, em tempo anterior à democracia. 

As suas qualidades de bairrista, interventor na defesa de Guimarães, foram então particularmente manifestadas na defesa da localização em Guimarães da Universidade do Minho, na instalação do Parque Industrial de S. João de Ponte, entre outras veementes tomadas de posição. 

Em 1974, logo após a revolução de abril, liderou a instalação da concelhia de Guimarães do Partido Popular Democrata (PPD), hoje PSD, tendo na sua intervenção partidária desempenhado funções de elevado relevo.

Liderou a lista do PSD às primeiras eleições autárquicas em Guimarães em 1976, tendo sido eleito Vereador da Câmara Municipal. Em 1979 foi nomeado pelo primeiro governo da Aliança Democrática (AD), presidido por Francisco Sá Carneiro, Governador Civil de Braga, cargo que voltaria a desempenhar durante os governos presididos por Aníbal Cavaco Silva.

Depois, chegada a hora dos mais novos — que ele promoveu — escondeu-se, mas a sua palavra, a sua obra e a sua forma de encarar a política, ou não fosse um republicano de gema, não podem — não devem — ser ignorados.

Um grande senhor, com quem travei grandes batalhas, de forma leal, iniciadas num Jantar de apresentação da candidatura do PSD, em Famalicão, à Câmara Municipal, contra Agostinho Fernandes, em meados da década de oitenta. no Hotel dos Moutados, ali ao lado da freguesia de Requião. 

Que batalha política e jornalística! Nesse dia, ele teve a infeliz afirmação desculpável e compreensível em campanha eleitoral: “Guimarães e Famalicão trabalham para Braga comer”. Depois disse que não disse. Confrontado com a gravação áudio, (que foi feita pelo João Aguiar Campos (RR) …. pediu desculpa. Foi um lapso. De facto, os bracarenses pagavam, então, mais impostos, per capita que os famalicenses e os vimaranenses — respondeu-lhe Mesquita Machado. 

Um sofrimento para mim que nasci em Famalicão, comecei a escrever em “A Voz de Creixomil”, aos 17 anos, e vivo em Braga desde os dez anos. 

Mas era a verdade, verdadinha. Vivi com ele a melhor campanha eleitoral presidencial de sempre (entre Mário Soares e Freitas do Amaral). Foi um grande guerreiro social-democrata. Há um ano perdi um grande amigo. Muitos anos depois, abraçava-me quando o encontrava noutras lides. Foi um enorme combatente da democracia minhota. Deixa-nos o exemplo da honra, da sinceridade, da humildade, da lealdade, da honestidade. da hombridade, do respeito pelo outro, da amizade: elementos que constituem uma alma humana com A maiúsculo. E tanta falta fazem hoje na política portuguesa.

Partiu um homem bom, um grande Vimaranense, um cidadão de causas. É alguém que nos inspira e nos motiva a seguir o seu legado.

Ele é um dos meus faróis, em várias décadas anos de jornalismo, a quem se aplicam os valores que ele cultivou como poucos.

Costa Guimarães, jornalista

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