Caminha num Espaço Coworking

Trabalhar a partir de Caminha para qualquer parte do mundo poderá vir a ser uma realidade. Criar na vila um espaço coworking poderia, por certo, potenciar a fixação da população local.

Se o governo pretende abrir até ao final do ano perto de 60 espaços coworking no interior do país, porque não incluir o município de Caminha nessa rede nacional de cooperação que facilitam o teletrabalho? Esta é uma forma para dinamizar este território facilitando a atração de pessoas e empresas pois estas instalações são cada vez mais populares não apenas para nômades digitais e empreendedores mas também as grandes empresas cada vez tiram mais vantagens.

A pandemia covid-19 deixou a sua marca numa nova forma de trabalhar e de nos relacionamos. Demonstrou que em muitas situações podemos laborar fora do local convencional de trabalho. E que isso pode desencadear ganhos para as empresas, para as pessoas e para o desenvolvimento económico de territórios desempenhando um forte contributo na redução da assimetria geográfica de ofertas profissionais, democratizando as oportunidades entre as regiões de elevada densidade populacional e as de menor densidade. Uma mudança de mentalidade emergiu dando origem a uma reinvenção do conceito de dia de trabalho. O trabalho remoto veio para ficar. Prevemos que em 2022 8 em cada dez empresas planeiam adotar um regime hibrido, alternando dias remotos com dias presenciais.

No concelho de Caminha o turismo residencial de segundas residências é bem acentuado e um fenómeno em expansão. A partir dos novos hábitos de teletrabalho impulsionados durante o confinamento, ou melhor através do apoio a estes novos hábitos, este segmento turístico pode induzir transformações no município pela atração de pessoas, pela captação de empreendedores. Consequentemente, propulsores de um efeito multiplicador na economia local se promovido de forma sustentável.

O surto do coronavírus acelerou a transformação digital sendo por exemplo as webmeetings uma evidência disso. É agora possível conectar a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo facilitando a colaboração 24/7. No entanto, muitas pessoas encontraram desvantagens que dificultam o trabalho em casa.

Previsto no programa de Estabilização Económica e social (PEES) a implementação destes espaços vai contribuir para a fixação de pessoas diminuindo a necessidade de deslocações e a consequente pegada carbónica. Quem fizer esta opção vai sentir melhorias na qualidade de vida, ao promover a conciliação entre a vida profissional e familiar.

Disponibilizados pelas autarquias estes espaços devem não só estar equipados com computadores, impressoras, internet mas também divididos em áreas de diferentes tipologias para que disponham de bancadas livres, áreas de diferentes períodos de ocupação, zonas de videoconferência, salas de reuniões etc. Devem localizar-se próximos de serviços, centros culturais. Sucintamente, um coworking é um local aonde vários empreendedores partilham o mesmo ambiente de trabalho, dividindo despesas e a área comum, tornando possível trocar experiencias entre si em diversos campos de atuação fazendo com que seja criada uma incrível rede de networking. Em síntese, o objetivo fundamental é incentivar a partilha de experiências e a construção de carteiras de clientes entre trabalhadores de vários contextos e origens. Obviamente, a grande mais-valia é a possibilidade de encontrar outros profissionais.

Através das comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) o governo prepara-se para disponibilizar fundos europeus para apoiar a contratação e mobilidade de trabalhadores pelo que a adaptação física destes espaços será comparticipada. As pessoas valorizam o trabalho remoto pois este é um convite para a construção de culturas inclusivas, com pessoas de vários quadrantes que impulsionem uma cultura de crescimento continuo. O número de vagas em coworking duplicou em 2018 em relação a 2015 o que evidencia que este imparável fenómeno internacional é mais que uma moda.

Urge reduzir a discrepância de ofertas profissionais no âmbito do programa de mobilidade para em articulação com as autarquias e o governo apoiar este projeto que abrange não só o sector privado mas igualmente funcionários públicos. Este é o desafio.

No caso desta rede já em curso, denominada ‘Teletrabalho no Interior. Vida Local. Trabalho Global’ orçamentada em cerca de 20 milhões de euros, as camaras municipais serão unicamente responsáveis pela divulgação através dos respetivos websites, pelas redes sociais. Por exemplo publicando vídeos que possam facilitar visitas virtuais.

Como alternativa a esta rede, a empresa espanhola First Workplaces vai abrir espaços de coworking em Portugal já em 2022, á semelhança do que tem feito em Espanha. A empresa dirigida por Óscar García Toledo conta atualmente com sete centros de trabalho flexíveis localizados em Madrid, dois em Barcelona e um em Málaga. Tem como objetivo para os próximos dois anos atingir os 70.000 m2 de superfície. Para a WeWork, maior empresa mundial em Coworking, inúmeras empresas têm migrado aproveitando a brutal redução de custos e uma dinâmica maior de interação.

Diversas evidências levamos a concluir que esse segmento tem tudo para explodir no concelho de Caminha.

Um amplo espaço pode criar mini-clusters. Muito melhor para as startups que têm mais possibilidade de sinergia em várias frentes o que significa diluir custos fixos, menos volatilidade e negócios complementares a sua volta (gastronomia, cultura, desporto, lazer, etc). Pois o turismo residencial assume cada vez maior importância, sendo o segmento de mercado turístico em termos de estratégia para o concelho. Apresenta-se como dinamizador do desenvolvimento e uma vez integrado com as necessidades da população residente, dos empresários e de outros atores envolvidos. Neste sentido a criação de um espaço coworking visa, simultaneamente, a satisfação das necessidades deste mercado e as necessidades da comunidade acolhedora. É neste contexto que se considera crucial que a autarquia e os stakeholders do concelho de Caminha compreendam a dimensão do fenómeno presente de turismo residencial de forma a tirarem partido deste mercado ainda pouco explorado. A base de tudo é no fundo o conceito original do coworking, ou seja, local que fomenta a criatividade, cultura colaborativa, etc.

Importa que os proprietários das 6700 segundas residências existentes no concelho de Caminha se transformem em turistas permanentes. Uma vez instalado um amplo espaço orientado para o trabalho remoto, repitam a sua visita várias vezes por ano ou até mesmo transformarem-se em residentes definitivos. Devem incentivar a população local a aprimorarem o seu nível de qualificação, tendo também em consideração um ambiente tecnológico compatível com a nova forma de atividades que resultam das consequências da pandemia.

Gonçalo Sampaio e Melo, Psicólogo

 

Lista dos Municípios da região norte que integram a Rede «Teletrabalho no Interior. Vida Local, Trabalho Global»

Amares, Arcos de Valdevez,  Bragança Cinfães, Macedo de Cavaleiros, Melgaço, Miranda do Douro, Mirandela, Monção, Mondim de Basto, Paredes de Coura, Terras de Bouro,  Valpaços, Vila Flor, Vila Nova de Cerveira, Vila Pouca de Aguiar, Vila Verde, Vimioso

 

 

 

 

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