Braga: primeiro destino das eleições autárquicas

Acusam — e é verdade … —  Ricardo Rio de ter comprado o título de Braga como melhor destino turístico da Europa (cf. https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/camara-de-braga-pagou-86-mil-euros-ao-presidente-da-empresa-que-atribuiu-premio-de-melhor-destino-europeu).

Não tinha de esbanjar tanto dinheiro nosso, mas a multidão de candidatos a presidente da Câmara Municipal demonstra que Braga é mesmo o primeiro — ou o melhor — destino dos partidos políticos portugueses. É um fartote. Os bracarenses nunca se viram assim, diante de tantas ofertas. E quando a esmola é grande…

É mesmo. Estamos ainda com a procissão a sair do adro (as eleições foram  marcadas para dia 26 de Setembro) mas Braga já tem duas mãos cheias de candidatos à presidência do Município.

Comparado este número com os candidatos de 2017, Braga duplica os interessados na presidência. Há quatro anos, apenas se candidataram PSD/CDS, PS, CDU, BE e Nós Cidadãos para captar os votos de  163 mil eleitores. Responderam à chamada pouco mais de 94 mil eleitores.

Agora, eis-nos perante um “fartote” de candidatos.

O PAN, Pessoas – Animais – Natureza, acaba de apresentar os candidatos à Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Braga.

O candidato à Câmara Municipal é Rafael Pinto, cabeça de lista às legislativas de 2019 e porta-voz distrital. “Este é um momento histórico para o PAN e para o concelho de Braga” afirma o candidato, “É a primeira candidatura com valores progressistas, ambientalistas e de bem-estar animal no concelho”.

O PAN afirma como bandeiras desta candidatura, o ambiente, a mobilidade e a educação, sem esquecer o bem-estar animal, na saúde, combate à corrupção e aumento da transparência e participação dos cidadãos na democracia

“Em 8 anos de mandato não conseguiram parar a poluição no rio Este (…) em 8 anos de mandato, não conseguiram melhorias que se notem na mobilidade da cidade.(…)”.

Marginal mas a aguardar desenvolvimentos é a candidatura do ex-jornalista Paulo Sousa, agora funcionário da Empresa Municipal de Braga, AGERE, que se afirma como corpo da cidadania activa. Tem como mote “Tempo de Agir” e foi apresentada no dia 25 de Abril (cf https://ovilaverdense.pt/  autarquicas-ex-jornalista-paulo-sousa-anuncia-candidatura-a-braga-para-dar-corpo-a-cidadania-activa/).

Hugo Pires avança já com a pré-campanha, faltando saber se consegue unir o partido, depois de a maioria da Comissão Política ter criticado a decisão da Direção nacional do PS de o indicar. Em causa está a possível presença na lista para a vereação do líder da Concelhia e vereador, Artur Feio – já convidado, mas ainda sem responder – e de personalidades como Pedro Sousa, líder da bancada socialista na Assembleia Municipal – um dos que votou uma moção na Comissão Política local contra o modo como a escolha foi feita. Hugo Pires já disse que tudo fará “para unir o PS/Braga”.

O partido Aliança concluiu um processo para a integração na coligação “Juntos por Braga”, até agora formada pelo PSD, CDS e PPM que volta a indicar Ricardo Rio.

A CDU indicou oficialmente  Bárbara Barros, até agora deputada na Assembleia Municipal, e que tem substituído Carlos Almeida na vereação camarária, e com grande protagonismo.

O Bloco de Esquerda indica a deputada no parlamento, Alexandra Vieira, que tem dado a cara nas várias iniciativas locais do partido.

O Chega avança com o nome da personal trainer e vice-presidente da Distrital de Braga, Eugénia Fernanda Sales dos Santos, conhecida como Jenny entre os amigos. O processo de escolha levou já à demissão e abandono do partido de Nelson Pereira, que era líder concelhio.

Já no Iniciativa Liberal indica a farmacêutica Olga Batista.

Temos outros partidos com alguma tradição de comparência nas eleições municipais em Braga, como é o caso do MRPP- Movimento Revolucionário do Partido do Proletariado, e do Nós Cidadãos, que concorreu em 2017.

Finalmente, e sob o nome de City Braga, nasceu, há dias, um movimento liderado por Filipe Ferreira, de 55 anos, que está a recolher assinaturas para uma candidatura independente.

Falta saber se este “fartote” de candidaturas não será um elemento determinante para a manutenção da maioria absoluta da coligação de Ricardo Rio, uma vez que há uma fragmentação do voto nos quadrantes mais à direita.

Sim, os números são como o algodão e nas eleições autárquicas, as pessoas contam muito. Vejam-se os resultados nas freguesias do concelho de Braga, em 2017. As listas do PSD/CDS obtiveram 37 mil (quase 40%) votos contra uns 34 mil votos (34%) dos eleitos do PS. Acrescem os quase 9% dos eleitos da CDU, os mais de 7% dos Independentes e os quase 5% dos eleitos do Bloco de Esquerda. Não se entende tanta sobranceria de Ricardo rio e seus pares, arrogância que os opositores agradecem.

“Porquê? Porque as únicas candidaturas que aparecem diariamente no terreno, a ouvir as populações e instituições são a de Hugo Pires (PS) e a de Bárbara Barros (CDU), tendo gerado decisões — a reboque — da maioria na Câmara Municipal.”

Esta parece estar nervosa ao propagandear, após cada denúncia de Hugo ou da Bárbara, uma solução para problemas denunciados, após oito anos de indiferença.

Costa Guimarães, jornalista

Foto – https://ru.cm-braga.pt/0301/reabilitacao-urbana/apresentacao

 

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