Porto e Lisboa – as regiões que dominam o futebol

A Primeira e Segunda Ligas do nosso país estão cada vez mais bipolarizadas e, o futebol começa a acompanhar a geografia e a demografia do nosso país.

Portugal é um país que tem algumas características geográficas específicas. O território nacional tem a população concentrada em dois polos, Lisboa e Porto, a chamada bipolarização. Como Porto e Lisboa agregam entre si mais de 3 milhões de pessoas, no restante território começa a haver pouca população, especialmente, no interior, onde a população é reduzida e, para além disto, envelhecida.

Estas tendências do território e da população portuguesa, estão a influenciar diretamente a distribuição das equipas nas duas principais ligas profissionais de futebol.

Analisando a Primeira Liga do futebol português, na época 2022/2023, irão estar presentes, de entre as 18 equipas, 1 equipa do Arquipélago da Madeira, 1 equipa do Arquipélago dos Açores, 4 equipas da Área Metropolitana de Lisboa, 10 equipas da Área Metropolitana de Porto e distrito de Braga, 1 equipa do Algarve e 1 equipa transmontana (que pertence ao interior). A Primeira Liga vai ter 1 equipa do interior e tem 14 equipas, sobre as 18 existentes, que estão próximas de Porto e Lisboa e, que são as chamadas cidades médias (caso de Braga e Guimarães). Para além disto, a única equipa do interior que disputava a Primeira Liga, o Tondela, desceu de divisão.

Já na Segunda Liga do futebol português, na época 2022/2023, irão estar presentes, de entre as 18 equipas, 7 equipas da zona do Porto e regiões próximas do Porto, 6 equipas da zona de Lisboa, 1 equipa do Algarve, 3 equipas do interior e 1 equipa do Arquipélago da Madeira. 

Nas duas ligas de topo do nosso futebol estão presentes, de entre 36 equipas, 27 equipas são de zonas próximas de Porto/Lisboa e, apenas 9 equipas são dos Arquipélagos, interior ou Algarve, ou seja, 75% das equipas são dos dois polos do nosso território, Porto e Lisboa.

A meu ver, é algo que tem de ser corrigido mas, que é percetível devido às tendências do nosso território. Portugal é um país envelhecido, principalmente no interior, pois os mais jovens vão sempre à procura de melhores condições de vida no litoral e, isto gera menos população no interior. Para corrigir estas assimetrias, é necessário: aplicar medidas para incentivar à natalidade; dar incentivos fiscais a quem quiser ir morar para o interior e para o Algarve e, por fim, criar condições para ser possível viver no interior e no Algarve (postos de trabalho principalmente). No interior e no Algarve, neste momento, é impossível o futebol evoluir, pois não existem jovens que chegue para dinamizar os clubes da região. É preciso analisar, planear e, apostar no interior e no Algarve que têm várias potencialidades.

Em suma, na minha opinião, uma Liga Nacional tem de ser um campeonato onde estão presentes as melhores equipas do país e, não, as melhores equipas de Porto/Lisboa.

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Por David Carvalho

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