Guerra Civil no Benfica – parte 2

Muito antes da detenção e libertação de Luís Filipe Vieira informamos os nossos leitores da “guerra civil em preparação no Benfica”. Foi a 20 de Junho. Duas semanas depois e após quatro dias detido nas instalações da PSP de Moscavide (Lisboa) o presidente do Benfica, entretanto suspenso de funções por sua vontade, encontra-se em casa, remoendo e preparando a sua reacção à pena mais pesada da sua vida, aplicada pelos seus. A direcção do clube nomeou Rui Costa para presidente.

Na nossa primeira notícia que pode rever, como suplemento desta publicação (mais abaixo), referíamos que Luis Filipe Vieira estava rodeado de lacraus na direcção do clube e da SAD. Foi ferrado, ainda não tinha tido oportunidade de se defender perante o juiz.

Nessa altura já pendia sobre si a “condenação da opinião pública” promovida pela comunicação social e alimentada por fugas de informação do sistema de Justiça. Mas a facada nas costas foi-lhe dada, como se previa fosse feita, embora não se previsse que acontecesse tão cedo.

A capa de A Bola (de hoje) que reproduzimos, deve ser guardada porque marca o início da nova relação entre o Benfica e Luís Filipe Vieira, agora traído pelo delfim. Facas longas no maior clube português. Guerra civil em marcha.

Como foi apresentada a detenção do presidente do Benfica no Sexta às 9, da RTP

Enquadramento de uma detenção e contornos não explícitos, no dia da detenção

Luís Filipe Vieira encontra-se detido a partir de hoje para ser interrogado pelo juiz Carlos Alexandre tendo em vista eventuais crimes praticados em operações financeiras e que terão prejudicado nomeadamente a CGD em mais de 200 milhões de Euros. Vieira já tinha sido interrogado numa comissão de inquérito no Parlamento sobre o mesmo assunto.

O empresário, o seu filho, Tiago Veira, o “rei dos frangos” (seu amigo e sócio) José António dos Santos e o advogado de Braga Bruno Macedo também estarão presentes frente ao juiz para explicarem os contornos dos contratos agora apreendidos para averiguação.

Neste momento são acusados de suspeitas de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais. As acusações são graves e dão cadeia.

O Ministério Público argumenta que as detenções foram realizadas para investigar “negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas sociedades”.

Seguir o dinheiro

A investigação quererá acima de tudo seguir o caminho do dinheiro e verificar os contratos celebrados, sobretudo depois de a banca portuguesa ter fechado as linhas de crédito aos clubes portugueses.

E quererá investigar as operações da C2 – fundo de investimento especial que suporta transferências milionárias – como se crise não houvesse – ela que não sendo banco está impedida por lei de receber depósitos.

Quererá assim Carlos Alexandre saber de onde vem o dinheiro e terá muito trabalho pela frente pois terá de pedir ajuda internacional. Encontrará certamente explicações que justificarão os investimentos gigantescos em jogadores de futebol. E terá de analisar os documentos de suporte.

Os investidores na C2 poderão também ter pela frente o mesmo juiz -um novo mundo está para ser descoberto.

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Reveja a nossa notícia Guerra Civil no Benfica editada em 20 de Junho de 2021

Guerra Civil no Benfica

O Benfica, recuperado do coma criado por Vale de Azevedo, tornou-se o clube português com maior património imobiliário, e voltou a competir sistematicamente por títulos, como era sua tradição. Apesar de ser uma história de sucesso, o seu presidente  está submetido a uma guerra psicológica permanente. Porque é que isto acontece?

Abstraindo das críticas “futebolísticas” dos adversários por normais e habituais – coisa que ninguém, de senso comum, releva –  a guerrilha interna acontece, apesar de contínuas e esmagadoras vitórias eleitorais de Filipe Vieira. Agora é a recontagem dos votos por “dúvidas do sistema informático” que suportou a contagem das últimas eleições, e também uma acção do advogado Matamouros que acusa o presidente do clube e da SAD de ter beneficiado pessoalmente nas negociações com a banca quando se tratou de renegociar as dívidas das empresas de que é sócio.

Estes críticos não apareceram quando Vilarinho afastou o “mágico” Azevedo e terminou a fase mais negra da instituição, e chamou para a sua equipa Filipe Vieira, ele que foi proposto pela banca portuguesa ao presidente eleito. Todos conhecemos a história e sabemos como estava o clube e como está após a intervenção e dedicação do actual presidente.

Como compreender então o clima de guerra civil? Filipe Vieira é um homem simples, com vocação para os negócios e de sucesso. A sua história fala por si. Acorda a pensar em dinheiro e tem o condão da varinha mágica – característica necessária quando uma instituição precisa de um líder, para traçar o seu destino e conseguir os objectivos. Provavelmente terá o defeito de pensar mais nos objectivos de gestão do que no êxito permanente que lhe é exigido pelos adeptos.

Ceder aos desejos dos adeptos foi o objectivo supremo de presidentes como Jorge Brito, Fernando Martins, Manuel Damásio e Azevedo. Se Brito e Martins perderam fortunas no clube, Damásio – o homem do salário mínimo e dos charutos cubanos-, e Azevedo, o mágico das burlas, depauperaram o clube até ao limite.

A visão comercial do clube e da SAD que ocupa Vieira, levou-o (e continua a levar) a convidar para as suas listas de candidatura que se sucederam ex-adversários (seus concorrentes em eleições e nelas perdedores) ainda  hoje elementos da “estrutura” do clube e da SAD e que  lá permanecem.

Vieira procurou o consenso e semeou uma teia de relações que mais não é do que um ninho de lacraus, que todos os dias aspira por mais um “caso” sobre o presidente na expectativa de um dia (quanto mais depressa melhor) lhe sucederem.

Não vale assim a pena ao Benfica contratar/substituir os directores de comunicação, nem os problemas radicam nas redacções dos jornais ou das televisões. Eles apenas dão voz a informações precisas e calculadas, ao dia, pelos lacraus que tudo vigiam e disponibilizam aos jornalistas.

Chama-se a isto a “estratégia do desgaste” para que um determinado lacrau ferre no momento certo o presidente.

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Direitos de Imagem- Record in: https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/benfica/detalhe/luis-filipe-vieira-vende-palheiro-por-cinco-mil-euros-a-camara-de-vila-franca-de-xira

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Artigo de opinião de Paulo Sande a enquadrar a metodologia da Justiça e da Comunicação Social portuguesa publicado em 9 de Julho de 2021

O TRIGO E O JOIO – A propósito de Luís Filipe Vieira (mas podia ser de outro qualquer)

1. Tentemos então, à laia de parábola.
2. Um país é composto por pessoas. As pessoas reconhecem-se por traços comuns, como o facto de falarem a mesma língua, assinalarem os mesmos heróis e batalhas e derrotas e gestas antigas, ou por viverem no mesmo território ou temerem os mesmos inimigos ou pagarem os mesmos impostos (nem todas…)
3. Nesse reconhecimento se gera uma identidade comum. A nossa, é portuguesa.
4. Mas não somos todos iguais. Na verdade, somos tão diferentes quanto se pode ser, há entre nós gente gorda e gente magra, bonitos e feios, talentosos e de escasso qi, há brancos e pretos e amarelos e verdes, há preguiçosos e laboriosos, há gente de fazer e gente de lazer. Não somos todos iguais.
5. Alguns de nós trabalham. A vida não é fácil, passamos anos a tentar construir um lugar confortável para nós e os nossos. Por vezes conseguimos, outras nem por isso; mas somos felizes no nosso labor e, quando cessamos, como cessam todos, adormecemos em paz com a consciência – e nada há de mais importante do que estar de bem com a consciência, modelo e fundamento da existência.
6. Mas também, como quis Espinoza, fonte de ilusões. Da ilusão da felicidade, por exemplo. Ou da liberdade.
7. Desse mal não padecem outros, mais realistas, cínicos analistas da condição humana, para quem interessa ir além da miséria quotidiana e arrecadar quanto possível de riquezas, cabedais e bens. Buscam uma vida de luxo, esbanjamento e opulência.
8. É normal. Alguns, não muitos, ganham-no legitimamente. Mas outros, que são joio, estão dispostos a tudo para o conseguir. A actos indignos. A mentir, fingir, sorrir sem vontade. A enganar, roubar, adular na insinceridade.
9. Aqueles, os do nº 5, são trigo da terra que consola e é virtude em ser humano (o ser, aqui, como verbo), consciência moral de um futuro onde todos caibam. E onde o bem caiba. Os outros, os do nº 6, são mal que inquina o bem, joio que ameaça o trigo, ensimesmados, por si mesmos só interessados.
10. Ei-los: os banqueiros venais, futebolistas, dirigentes e agentes para quem o mundo não passa de uma bola (e luvas e comissões), políticos corruptos, do topo à base, são traficantes, lavadores de dinheiro, endividados cujos NPL outros pagam (os do trigo). São os que usam o bem público para fruição privada. São bandidos.
11. Ocorre-me a parábola do trigo e do joio, Mateus 13. Junto com o trigo, semeado por um homem bom, cresce o joio, semeado por um homem mau. Instado a arrancá-lo, o homem bom manda esperar, para quando, crescidos ambos, seja mais fácil e seguro arrancar o joio, atá-lo em feixes para o queimar e guardar o trigo no celeiro.
12. O tempo de ceifar o joio equivale ao tempo da justiça. Quando, após décadas de impunidade, o joio está à vista, é o tempo de ceifar. E de queimar. De separar trigo de joio.
13. Não é por José Sócrates estar acusado, e Salgado também, de Berardo estar indiciado e Vieira também, que deixarei de defender, com unhas e dentes, a presunção da sua inocência. Vários foram condenados. Outros o serão. Mas enquanto a justiça não cumpre a sua missão, eles – como qualquer um de nós – têm direito a um julgamento justo e a não ser condenados sem apelo, mas com agravo, no tribunal da opinião pública.
14. Que é cego, apaixonado, sempre excessivo. Incapaz de justiça verdadeira – não é esse o seu papel. Importa é que a lei seja celeremente aplicada. Uma justiça lenta, muito o tenho repetido, não é justa.
15. Entretanto, o aviso está dado, a todos os do joio: a vossa vez chegará.
Paulo Sande, político
Foto in  – https://sicnoticias.pt/pais/2018-11-30-Paulo-Almeida-Sande-e-o-cabeca-de-lista-do-Alianca-as-europeias
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