Sessenta bispos do Brasil escrevem carta contra Bolsonaro

Parte da hierarquia católica resolveu manifestar seu posicionamento político

Sessenta bispos brasileiros escrevem carta contra Bolsonaro – A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, que acontece no próximo domingo, dia 30, parte da hierarquia católica resolveu se manifestar.

Desta vez, para se declararem publicamente contra o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Os prelados dizem que a motivação para a publicação do documento “está na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz”.

Os bispos refutam as práticas adotadas por Bolsonaro, mostrando que a postura do atual mandatário da República não condiz com os 10 mandamentos bíblicos.

Por medo de represálias por parte dos apoiadores do candidato à reeleição, os bispos resolveram não assinar o texto. Portanto, é um documento original, mas redigido de maneira anónima.

O jornal brasileiro domtotal teve acesso à carta original mas protege quem lha entregou. os bispos redactores têm medo de que, nas suas dioceses, os fundamentalistas atentem contra a sua integridade física.

Democracia única escolha

“Não cabe neutralidade quando se trata de decidir entre dois projetos de Brasil: um democrático e outro autoritário”, enfatizam.

Sem usar meias palavras, os bispos também rechaçam o terrorismo eleitoral praticado por centros culturais, padres e influencers católicos contra os eleitores que não apoiam o atual governo.

“O chefe do governo e seus apoiadores, principalmente políticos e religiosos, abusaram do nome de Deus para legitimar seus atos e ainda o usam para fins eleitorais. O uso do nome de Deus em vão é desrespeito do segundo mandamento”, completam.

O slogan da campanha de Bolsonaro, usado pelo presidente em 2018, também foi criticado pelo grupo de prelados.

“Enquanto dizia ‘Deus acima de tudo’, o presidente ofendia mulheres, debochava de pessoas que morriam asfixiadas, além de não demonstrar compaixão alguma com as quase 700 mil vidas perdidas para a Covid-19 e com as 33 milhões de pessoas famintas em seu país.

A política do armamento, também defendida pelo atual governo, também foi mencionada na carta.

“Os discursos e medidas que visam armar todas as pessoas e eliminar os opositores estão em contradição com o 5 mandamento, que diz “não matarás”, quanto com a Doutrina Social da Igreja, que propõe o desarmamento e diz que “o enorme aumento das armas representa uma ameaça grave para a estabilidade e a paz” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 508).

Os autores do documento, que se apresentam como “bispos do diálogo pelo Reino”, encerram lançando um apelo ao povo brasileiro, e explicando que não se trata, dada a urgência da situação, de abraçar um projeto político, mas de uma escolha ética.

A Igreja não tem partido, nem nunca terá

“A Igreja não tem partido, nem nunca terá, porém ela tem um lado, e sempre terá: o lado da justiça e da paz, da verdade e da solidariedade, do amor e da igualdade, da liberdade religiosa e do Estado Laico, da inclusão social e do bem viver para todos. […] Nossa motivação é ética e não decorre do seguimento de um líder político, nem de preferências pessoais, mas vem da fidelidade ao Evangelho de Jesus”, concluem.

População brasileira dividida participa agora na segunda volta das eleições presidenciais disputadas por Bolsonaro, no poder, e Lula, na oposição. Domingo dia 30, a decisão final.