Problemas da bola – do futebol jogado ao resto (1)

O futebol é um desporto que surgiu na Inglaterra nos fins do século XIX mas, até os dias de hoje foi ficando diferente.

O futebol é o desporto rei e, na minha opinião, pelo seu cariz histórico será sempre o desporto no mundo que irá ser visto por mais pessoas e que irá ter um grande número de praticantes. Apesar disto, eu acho que o futebol terá de mudar rapidamente algumas das suas “coisas”, porque se isso não acontecer gera-se uma bola de neve: os fãs perdem o interesse, menos dinheiro a ser movimentado, dificuldades nos clubes e, consequentemente a perda de qualidade do desporto.

Agora falando de algo concreto, faço a pergunta: O que tem de mudar no futebol?
A meu ver, no futebol de hoje, há várias “coisas” que estão erradas.

Antijogo

Este fenómeno define-se como a ação de quem não respeita as regras do jogo ou comete irregularidades ou explora das partes cinzentas das regras. São algumas das formas desta prática considerada antidesportiva as simulações, os comportamentos agressivos, as ofensas verbais, a demora nas substituições ou na reposição de bola, pedida indevida de apoio médico entre outros. 

O antijogo tornou-se realmente um problema, então em Portugal creio que é o expoente máximo neste aspeto, chegando ao ponto de haver jogos de 90 minutos em que só se jogam futebol realmente 50. 

Na minha opinião há alguns mecanismos que podem ajudar a combater este problema: penalização com cartão de simulações, comportamentos agressivos e ofensas verbais; uma melhor gestão de tempo e maiores tempos de compensação (podendo chegar aos 20 minutos que é o que se perde em algumas partes de futebol); uma maior atenção relativamente às assistências médicas, levando os jogadores o mais rápido possível para fora das quatro linhas quando não são guarda-redes; a mudança do sistema de cronometragem do futebol para 60 minutos em que sempre que a bola sai fora ou algo acontece, o cronómetro para garantindo tempo útil de jogo; por fim, a educação desde a formação da mentalidade das pessoas, que o futebol é um desporto para ser jogado e que não é bonito “atirar-se para o chão”, “dar nas pernas aos jogadores” e “insultar constantemente tudo e todos”.

O dinheiro envolvido

Eu como fã de futebol acho que os jogadores são vendidos por quantidades exorbitantes de dinheiro e não acho isso nada correto. Este problema não tem uma solução prática, porque é muito difícil de resolver. Fazendo um raciocínio rápido, se não há dinheiro a ser movimentado nas transferências, não haverá dinheiro para pagar os salários enormes que os jogadores recebem, isso irá atrair menos investidores e patrocinadores e haverá uma crise no futebol mundial. 

A única ação possível para este problema é a FIFA pôr limites monetários aos clubes, porque estamos a chegar ao ponto em que se paga milhões e milhões por pessoas. Para estes limites acontecerem e terem sucesso, tem de se começar por reduzir os salários aos jogadores de futebol, não aos jogadores e treinadores de segundas divisões mas, sim aos jogadores e treinadores de topo, que é para haver suporte para os clubes resistirem à menor quantidade de dinheiro movimentado. Este processo poderá demorar vários anos mas, o desporto do povo como é visto o futebol não deve ter tanto dinheiro a ser movimentado.

Pouca voz dos intervenientes

Esta pouca voz dos intervenientes acho que é um problema muito português e não tanto mundial. Falando da realidade portuguesa ouvimos presidentes em conferências de imprensa, discussões entre presidentes, comentadores a desentenderem-se em plena televisão e isto não está correto. O comentador se existir, tem de falar e discutir futebol, dando a sua opinião e, levando as pessoas a pensarem e a gostarem de futebol. O presidente deve aparecer não em conferências de imprensa mas, em entrevistas, em ações de campanha, entre outros. Quem deve falar e ser ouvido são os treinadores, os jogadores e, algo que eu gostava imenso de ver os árbitros. 

Isto é simples. Quem é que intervém no jogo? Os treinadores, os jogadores e os árbitros. Porque é que não os ouvimos mais? Infelizmente, o que a comunicação social desportiva publica e, o que alimenta o seu negócio são as polémicas, o que o presidente e comentador x ou y dizem sobre determinada situação e não o futebol em estado puro.

Os jogadores e treinadores devem ser mais ouvidos e, os árbitros devem começar a ser ouvidos. O árbitro intervêm imenso no jogo e, tal como qualquer jogador também erra, é preciso ouvir os árbitros e dar valor ao seu trabalho, porque não é fácil e agora com o VAR o futebol está cada vez mais certo a nível das decisões. O problema é que se um árbitro erra é logo tratado de tudo e mais alguma coisa mas, o juiz não deixa de ser uma pessoa. O ser humano erra e tem de se respeitar o erro sendo que é difícil, porque por vezes tem muita influência nos jogos.

A comunicação social desportiva tem de começar aos poucos a referenciar mais o futebol, mais o que interessa, as contratações, análises aos jogadores, as táticas, as estratégias e não o show-off. 

O futebol, o desporto pelo qual me apaixonei, hoje não existe. Estamos mais preocupados em discutir o resto e não, em discutir o jogo jogado. O futebol merece mais, e até eu sinceramente, que sou louco por bola, por vezes começo a deixar de ver futebol, porque só me enervo e não me entretenho. A comunicação social desportiva tem de falar de futebol jogado, temos de diminuir o dinheiro gasto no desporto, temos de educar as crianças para que o futebol não é fazerem antijogo e quem sabe mudar o cronómetro.

O futebol necessita de ser renovado, necessita de uma mudança, isso só é possível, se todo e qualquer amante da bola mudar a sua forma de ver o desporto.

(Continua)

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Por David Carvalho

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